Tribunal argentino confirma condenação de militares por crimes na ditadura

Buenos Aires, 21 jul (EFE) - Um tribunal de segunda instância da Argentina confirmou uma condenação a 25 anos de prisão do ex-chefe do Exército Cristino Nicolaides pelo seqüestro e desaparecimento de cerca de 20 guerrilheiros durante a última ditadura militar no país, informaram hoje fontes judiciais.

EFE |

A Câmara Federal de Buenos Aires ratificou ainda as penas que o juiz Ariel Lijo tinha imposto em dezembro aos ex-comandantes do Exército Luis Arias Duval (25 anos), Waldo Roldán (23 anos) e Carlos Fontana (21 anos), assim como a sentença a 23 anos do ex-policial Julio Simón.

O coronel Pascual Guerrieri teve pena reduzida de 20 a 16 anos de prisão, enquanto não emitiu sentença sobre o antigo comando Juan Carlos Gualco, a quem o juiz Lijo tinha sentenciado a 23 anos de prisão.

Esta foi a primeira condenação a militares por crimes de repressão durante a ditadura (1976-1983) desde a anulação das "leis do perdão", em 2003.

Os fatos analisados neste julgamento ocorreram em 1980, quando o grupo armado Montoneros tinha sido desarticulado na Argentina e os chefes criaram na Europa, onde tinham se estabelecido, a chamada "Operación Murciélago".

Essa consistiu no retorno ao país de vários de seus integrantes para lançar uma ofensiva contra o regime ditatorial.

Os guerrilheiros que retornaram, divididos em dois grupos, -um para reagrupar ex-integrantes e o outro com a missão de cometer atentados contra autoridades-, foram aprisionados por militares.

Desde então, a maioria deles permanece desaparecida e em alguns casos se encontraram os corpos crivados a tiros.

Os Montoneros surgiram na década de 70 como um ala nacionalista e de esquerda do Partido Justicialista (peronista), atualmente no Governo, mas recorreram à luta armada e cometeram múltiplos atentados após serem expulsos dessa força política, em 1974. EFE cw/db

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