Berlim, 28 abr (EFE) - O Tribunal Administrativo de Erding (sudeste alemão) condenou hoje a dez meses de prisão o ideólogo neonazista Horst Mahler por ter feito a saudação Heil Hitler, ilegal na Alemanha, e ter negado o Holocausto durante uma entrevista. Mahler, de 72 anos, deverá ir para a prisão e cumprir a sentença, pois tem antecedentes criminais. O tribunal o considerou hoje culpado dos crimes de ódio racial, uso de símbolos de organizações anticonstitucionais e injúrias.

O processo começou por causa das afirmações feitas por Mahler durante uma entrevista concedida à versão alemã da revista "Vanity Fair" em novembro de 2007, que foi realizada pelo jornalista e ex-vice-presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha Michel Friedman em um hotel de Munique (sudeste).

Aparentemente, Mahler cumprimentou seu entrevistador com um "Heil Hitler, Herr Friedman" e, durante a conversa, qualificou Adolf Hitler de "redentor do povo alemão". Ele insistiu ainda em negar o Holocausto.

Mahler foi condenado em novembro a seis meses de prisão por um tribunal de Cottbus (leste do país) por fazer a saudação nazista um ano antes, quando se dispunha a ingressar na prisão para cumprir uma pena por outro crime de cunho extremista.

O neonazista foi militante da extinta organização terrorista Facção do Exército Vermelho (RAF) na época em que era dirigida por Andreas Baader e Ulrike Meinhof, tendo por isso passado vários anos preso na década de 70.

Nos anos 90, deu uma guinada ideológica para a extrema direita e, em 2000, filiou-se ao neonazista Partido Nacional Democrático (NPD), quando continuou a radicalizar cada vez mais sua mensagem, marcadamente anti-semita.

Mahler foi condenado em 2005 a nove meses de prisão pela Audiência de Berlim por incitar o ódio racial contra os judeus, em uma sentença na qual os juízes lhe qualificaram de "fanático e obstinado".

Pouco antes, um tribunal de Hamburgo o condenou a pagar multa de 7.400 euros por considerar "justos" os atentados de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas de Nova York e o Pentágono em Washington, em entrevista exibida pela televisão. EFE nvm/bm/db

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