Tribunal africano declara líder juvenil culpado por estimular o ódio

Juiz considera que canção anti-apartheid entoada por Julius Malema em manifestações é ofensiva e desumana

iG São Paulo |

AFP
Julius Malema, líder da juventude do ANC, foi declarado culpado por tribunal em Johannesburgo (15/05)
Julius Malema, líder da juventude do Congresso Nacional Africano (CNA), partido do governo da África do Sul, foi declarado culpado por um tribunal de Johannesburgo, por incitar o ódio ao utilizar em suas manifestações a canção histórica da luta anti-apartheid "Mate os Boers".

"Entoar esse canto é uma incitação ao ódio", concluiu o juiz Colin Lamont, ao fim do processo transmitido pela televisão. "Dubula Ibhunu" é uma célebre canção da luta anti-apartheid. Sua letra ataca os fazendeiros brancos (boers) e, em geral, os afrikaners, acusados na canção de serem "estupradores" e "ladrões".

O juiz Lamont foi mais longe que o AfriForum - organização branca da África do Sul - tinha exigido, dizendo que todos os africanos, não só Julius Malema, devem abster-se de cantar "Mate os Boers". De acordo com a decisão, processos criminais já podem ser abertos contra aqueles que entoarem a música ou citarem sua letra.

Segundo os partidários de Malema, dos quais mais de 100 se reuniram nesta segunda diante do tribunal, esse canto é inofensivo e pertence à história do país e não era dirigido contra ninguém específico, mas sim, ao sistema do apartheid em geral. "É algo ofensivo, desumano", entendeu o juiz do tribunal para a Igualdade.

Para Lamont, desde 1994, quando o apartheid chegou ao fim, "o inimigo se converteu em amigo, em irmão. Os membros da sociedade devem aceitar todos os cidadãos como irmãos".

Depois da decisão, a multidão que estava do lado de fora da corte cantou a música para desafiar o juiz. A liga juvenil do CNA os aconselhou a respeitar as regras, enquanto eles iriam consultar seus advogados sobre como apelar da decisão.

Julius Malema, 30 anos, também é acusado em seu partido de indisciplina por se afastar das posições do ANC, adotando posturas populistas que fazem sucesso entre os marginalizados da África do Sul pós-apartheid.

No sábado, na celebração do 67º aniversário da Liga da Juventude, Malema lançou um novo ataque contra a "minoria branca" que ainda domina a economia sul-africana, anunciando "a guerra", prometendo "marchar até a bolsa de Johannesburgo" e acusando os fazendeiros brancos de "criminosos" que "roubaram nossa terra".

Malema conta com o apoio de Winnie Madikizela-Mandela, ex-mulher de Nelson Mandela.

* Com AP e AFP

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