Tribunais sentenciam 22 uigures à morte por conflitos étnicos na China

Marga Zambrana. Pequim, 24 dez (EFE).- Tribunais chineses condenaram mais cinco uigures hoje à morte, pelos distúrbios étnicos de julho envolvendo membros da etnia, nos quais 197 pessoas morreram e pelos quais 22 representantes do grupo já foram condenados à pena capital.

EFE |

Entre hoje e ontem 22 uigures foram julgados em Urumqi, capital da região de Xinjiang, no oeste da China, com diferentes acusações sobre os conflitos de 5 de julho, informou a porta-voz do Governo regional, Hou Hanmin.

Do total dos 22 condenados à morte desde o início dos julgamentos pelas revoltas - que deixaram 1.600 feridos-, nove dos sentenciados já foram executados.

Um dos condenados hoje à pena capital é um jovem uigur de 19 anos chamado Mehmet Maheti.

No mesmo julgamento, outros cinco uigures também foram condenados à pena capital, mas com possibilidade de redução para prisão perpétua se mostrarem bom comportamento, segundo a porta-voz.

Os distúrbios tiveram origem em uma manifestação da minoria uigur (uma etnia turca que segue o islamismo e que habita a região há séculos), em protesto pela morte de vários membros de sua etnia no sul da China, já que os responsáveis por estes ataques não foram punidos.

Segundo fontes oficiais, a maioria dos 197 mortos nos distúrbios era de etnia chinesa han, mas os uigures dizem que o Governo ocultou os mortos de sua etnia que foram executados pelas forças armadas, que poderiam ser centenas.

As condenações de hoje provocaram a reação dos grupos uigures no exílio, como a Associação Americana Uigur (UAA, na sigla em inglês), que qualificou os julgamentos como "politizados e carentes de transparência".

Segundo a associação, as autoridades chinesas proibiram que os jornalistas locais fornecessem informação detalhada ou elaborassem suas próprias investigações sobre os acusados ou as revoltas.

"A sentença em massa de 22 uigures, incluindo um jovem de 19 anos, à pena de morte, às vésperas do Natal e do Ano Novo, é destinada a aterrorizar toda a população uigur durante o próximo ano", afirmou em comunicado a líder exilada nos Estados Unidos, Rebiya Kadeer.

Pequim acusou Kadeer em julho de ter orquestrado os protestos em Urumqi, algo que a ativista negou em diversas ocasiões.

Kadeer pediu à comunidade internacional que pressione Pequim para que seja realizada uma investigação independente das detenções e dos assassinatos de uigures desde o massacre de 5 de julho, com o objetivo de frear as execuções contra a etnia.

Os uigures, que em 1957 representavam 94% da população de Xinjiang, são hoje menos da metade de um censo de 20 milhões, devido à política de repovoamento com colonos chineses impulsionada por Pequim. A etnia diz sentir-se discriminada e condenada ao extermínio pelos chineses.

Desde 5 de julho, 41 pessoas, uigures em sua maioria, foram processadas e sentenciadas pelos protestos, com ações judiciais que, segundo a UAA, não cumprem com as leis internacionais.

Na última semana, 20 uigures que tinham pedido asilo político no Camboja foram devolvidos pelo Governo do país à China, transgredindo a convenção da ONU sobre refugiados, de 1951, já que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) estava estudando seu caso.

Segundo a porta-voz da Chancelaria chinesa, Jiang Yu, "alguns destes deportados eram criminosos suspeitos", especificamente acusados de "incêndio" e "fabricação ilegal de explosivos", assegurou hoje, ao referir-se ao grupo de refugiados, no qual havia mulheres e crianças.

Estes uigures, cujo paradeiro e situação são desconhecidos desde que foram deportados no domingo, asseguraram à ONU que tinham provas de que a Polícia chinesa tinha matado membros de sua etnia nos distúrbios de julho. EFE mz/pd

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