Por Anis Ahmed e Nizam Ahmed DACA (Reuters) - Tribunais especiais de Bangladesh julgarão paramilitares rebeldes que mataram pelo menos 80 pessoas, a maioria membros do Exército, em uma revolta na semana passada, disseram neste domingo autoridades do governo e militares.

Mais de 70 pessoas ainda estão desaparecidas após o motim de membros de guardas de fronteira dos Bangladesh Rifles (BDR), que aconteceu na quarta-feira devido a uma disputa sobre salário e comando, afirmaram autoridades.

Os corpos dos membros do Exército, e de alguns familiares, foram encontrados em valas comuns dentro do complexo do BDR em Daca, e em canos de esgotos e canais. O motim se espalhou para mais de uma dezena de pequenas cidades em Bangladesh.

Testemunhas disseram que cerca de 1.000 soldados do CDR que fugiram de seus respectivos quartéis após o motim de dois dias já retornaram e tinham as suas identidades checadas do lado de fora dos complexos.

A polícia afirmou que identificou até 1.000 membros do BDR para investigações sobre o motim, em um processo que pode levar a indiciamentos formais, inclusive por assassinato.

O ministro do governo Syed Ashraful Islam afirmou que a decisão de estabelecer os tribunais foi tomada em um encontro de gabinete liderado pela primeira-ministra, xeique Hasina, no sábado.

Uma investigação liderada pelo ministro do Interior, Shahara Khatun, foi instruída a divulgar suas primeiras descobertas dentro de uma semana.

Autoridades do governo afirmaram que Hasina disse aos ministros do gabinete e ao chefe do Exército, general Moeen U. Ahmed, neste domingo, que todos os envolvidos no motim seriam levados a juízo.

Hasina procurou a ajuda do FBI em uma conversa por telefone com o secretário de Estado Assistente dos EUA, Richard Boucher, para investigar o motim, informou o Ministério das Relações Exteriores de Bangladesh.

"Puniremos os assassinos e seus mentores após uma investigação apropriada e um julgamento justo", disse Hasina ao Parlamento neste domingo. "Também procuraremos assistência da Scotland Yard (polícia britânica) e cooperação dos Estados Unidos para investigar o motim."

O Parlamento condenou unanimemente a revolta.

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