Três pessoas são detidas em protesto contra Bush no Canadá

TORONTO - Três pessoas foram detidas na cidade canadense de Calgary, nesta terça-feira, durante um protesto contra a presença do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, que pronunciou seu primeiro discurso público desde que deixou a Casa Branca, em janeiro.

EFE |

AP
Protesto contra Bush
Manifestantes protestam contra Bush
O discurso de Bush foi fechado à imprensa, mas um pouco sobre seu conteúdo acabou sendo descoberto pelos jornalistas.

Um dos presentes na conferência disse à emissora canadense "CTV" que em seu discurso Bush reiterou que a decisão de invadir o Iraque foi correta.

Além disso, o ex-presidente americano assegurou que seus assessores lhe advertiram no final de 2008 sobre o risco de os EUA entrarem em recessão, e por isso decidiu iniciar um pacote de resgate econômico de US$ 700 bilhões.

O discurso de Bush "não teve nada novo", acrescentou a fonte, que opinou que o ex-presidente parecia estar "testando o circuito das conferências".

Segundo a imprensa local, a Câmara de Comércio de Calgary e uma companhia de advogados da cidade pagaram US$ 100 mil a Bush para que discursasse a aproximadamente 1.500 empresários, que pagaram US$ 400, cada um, para assistir à conferência.

Enquanto Bush participava da conferência no centro de convenções da cidade, cerca de 500 pessoas protestavam nas cercanias do local.

Em entrevista coletiva, um porta-voz da polícia informou que três pessoas foram detidas durante as manifestações, uma delas acusada de obstrução e de atacar um dos uniformizados da instituição.

Os organizadores do protesto informaram à imprensa que pretendiam utilizar uma máquina para atirar sapatos em uma imagem do ex-presidente americano, mas a polícia não lhes deu permissão para isso.

Os manifestantes então atiraram com as mãos sapatos contra uma fotografia de grandes dimensões de Bush, repetindo o gesto do jornalista iraquiano Muntadhar al-Zaidi, que jogou seus sapatos contra o ex-governante americano em dezembro, durante uma entrevista coletiva em Bagdá.

A presença de Bush em Calgary também fez com que o grupo local Advogados Contra a Guerra solicitasse ao governo canadense o processo do ex-presidente por crimes contra a humanidade e torturas.

Gail Davidson, uma das fundadoras do grupo de advogados canadenses, disse ontem à Agência Efe que a organização está trabalhando com juristas internacionais para iniciar ações legais contra Bush em outros países.


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