Três filiais da Siemens se vêem envolvidas em suborno a Governo da China

Xangai, 18 dez (EFE).- Três filiais do consórcio tecnológico Siemens que operam na China se viram envolvidas em subornos a membros de Governos locais e diretores de hospitais para alcançarem contratos para trens urbanos ou instalações sanitárias, informou hoje a imprensa chinesa.

EFE |

Todos os subornos foram transferidos por meio de agentes intermediários, como consultoras e entidades estabelecidas em Hong Kong, que depois os enviavam para os políticos e diretores chineses envolvidos no esquema, indicam as provas das autoridades de controle da bolsa americana avaliadas por um tribunal em Washington esta semana.

Segundo matéria publicada hoje pelo jornal "Shanghai Daily", a filial de transportes da Siemens, com presença na China, chegou a pagar US$ 22 milhões (15 milhões de euros) entre 2002 e 2007 para conseguir os contratos para sete trens de metrô e instalações de sinalização viária no país.

Estes contratos somavam um valor de mais de US$ 1 bilhão (692 milhões de euros).

Sua filial de transmissão e distribuição elétrica também conseguiu assim alcançar os projetos de dois transmissores de energia de alta voltagem, no valor de US$ 838 milhões (580 milhões de euros), no sul da China.

Para isto pagou US$ 25 milhões (17 milhões de euros) para diferentes membros de Governos locais entre 2002 e 2003 através de intermediários.

Da mesma forma, há indícios de que a filial de saúde da Siemens pagou a cinco hospitais chineses US$ 14,4 milhões entre 2003 e 2007 (9,9 milhões de euros) para conseguir garantir os contratos para construir instalações no valor de US$ 295 milhões (204 milhões de euros).

Além disso, pagou ao então responsável de radiologia de um hospital de Songyuan (província de Jilin) US$ 64.800 (44.800 euros), em maio de 2006, para lhe vender um sistema de ressonância magnética por US$ 1,5 milhão (1 milhão de euros).

Na última segunda a Siemens chegou a um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA por meio do qual a companhia e três de suas filiais se declaram culpadas de casos de corrupção similares neste país e concordam em pagar uma multa de cerca de US$ 800 milhões (553 milhões de euros) em troca de que sejam desprezadas as acusações contra elas.

A empresa incluiu recentemente em suas contas o pagamento de multas de até 1 bilhão de euro (US$ 1,443 bilhão) pelos casos de corrupção abertos contra ela nos EUA e na Alemanha.

O escândalo dos subornos da Siemens explodiu em novembro de 2006, quando foi divulgado que ex-diretores recorriam à prática de subornos e pagamento de comissões para conseguirem contratos.

A empresa detectou "pagamentos não esclarecidos" em pelo menos uma dúzia de países, fundamentalmente nos EUA, mas também em Argentina, China, Vietnã, Grécia e Polônia, no valor de cerca de 1,3 bilhão de euros (US$ 1,75 bilhão) entre 2000 e 2006. EFE jad/fal

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