Três dias de violência étnica matam pelo menos 20 no Paquistão

(atualiza com dados da Polícia, que reduz o número de mortos) Islamabad, 1 dez (EFE).- Pelo menos 20 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas na cidade paquistanesa de Karachi em diversos episódios de violência de caráter étnico-político iniciados na noite de sábado e que ainda continuam, informaram hoje as televisões locais.

EFE |

Segundo o canal "Geo TV", um grupo de homens armados matou hoje cinco pessoas no bairro Orangi da metrópole financeira paquistanesa, enquanto em outros pontos da cidade dezenas de veículos foram incendiados e continuaram sendo registrados ataques a propriedades públicas e privadas.

Somente no fim de semana, foram incendiados 50 estabelecimentos comerciais e mais de 60 veículos.

O Governo provincial de Sindh ordenou a mobilização de paramilitares e da Polícia nas regiões das cidades afetadas pela violência e decretou o dia de hoje como feriado em todas as escolas públicas.

Além disso, as forças de segurança têm ordem de disparar contra os homens armados, segundo a Polícia.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousef Razá Guilani, qualificou de "sérios" os distúrbios e pediu ao Ministério do Interior um relatório nas próximas horas, de acordo com um comunicado de seu escritório divulgado ontem à noite.

Segundo investigações policiais reproduzidas por jornais locais, os conflitos poderiam ter começado na região de Banaras, depois de um veículo conduzido por um membro da etnia pashtun atropelar no sábado uma pessoa da etnia mohajir.

O nome mohajir refere-se à comunidade majoritária de Karachi, com imigrantes e seus descendentes que falam a língua urdu e que chegaram da Índia após a partilha do subcontinente e independência do Paquistão, em 1947.

Os conflitos entre a comunidade mohajir e os membros de etnia pashtun, que procedem do noroeste do país, e representam cerca de 3 milhões da população de Karachi, são freqüentes e contam com o apoio não assumido de alguns grupos elementos políticos.

No entanto, a imprensa e as autoridades paquistanesas não costumam oferecer muitos detalhes destas tensões étnicas.

Os dois partidos que representam a estas comunidades, o Partido Nacionalista Awami (ANP) -cujos seguidores são os pashtuns- e o Muttahida Quami Movement (MQM) -formação dos mohajirs- pediram calma e condenaram os fatos, segundo porta-vozes consultados pela Agência Efe.

"Há certos integrantes de quadrilhas que estão tentando criar tensão entre os pashtuns e os que falam urdu para desestabilizar a cidade e o país", disse à Efe o porta-voz do MQM, Farouk Sattar. EFE igb/jp

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