LAquila-Roma (Itália), 7 abr (EFE).- Os tremores de terra continuam na Itália, depois que na segunda-feira um forte terremoto no centro do país assolou a região de Abruzzo e deixou mais de 200 mortos, cerca de mil feridos e 17 mil desabrigados.

Duas réplicas menores, mas de intensidade considerável - 3,6 e 4,7 graus na escala Richter -, voltaram a espalhar pânico hoje entre os moradores de L'Aquila, capital de Abruzzo, que continuam esperando o fim dos tremores para voltar ao que resta de suas casas e tentar recuperar objetos.

A incerteza que continua presente em L'Aquila, aonde o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, voltou a ir hoje para verificar a situação, dificulta os trabalhos de remoção de escombros, que já na noite anterior foram prejudicados pela chuva que caiu sobre a capital de Abruzzo.

Depois da incerteza sobre o número de mortos que era divulgado ontem, Berlusconi informou hoje o balanço oficial de vítimas, em entrevista coletiva, em L'Aquila: 207 mortos, dos quais 17 ainda não foram identificados.

Entre os escombros aos quais a capital ficou reduzida, foram resgatadas com vida 150 pessoas, 15 estão desaparecidas e há cerca de mil feridos.

Devido à excepcionalidade da situação na região central italiana, com um estado de emergência decretado ontem pelo Governo do país e sem que os tremores cessem - de fato, os abalos ocorrem há alguns meses -, o primeiro-ministro aconselhou hoje à população a não voltar ainda para casa.

"São possíveis outros tremores, por isso, há a mensagem à população para que não entre em suas casas", disse Berlusconi, minutos depois de a terra voltar a tremer em L'Aquila, o epicentro estes dias da tragédia humana causada por um terremoto de 5,8 graus na escala Richter.

Em um país que pouco a pouco vai tomando consciência da magnitude da tragédia, em meio às contínuas imagens nos meios de comunicação de corpos retirados das ruínas dos edifícios, os sobreviventes também ganham protagonismo, com as histórias dos que conseguem sair com vida dos escombros.

Entre eles está María D'Antuono, de 98 anos e que foi encontrada hoje com vida após passar 30 horas na cama esperando que alguém fosse resgatá-la em sua casa, na localidade de Tempera.

Por enquanto, não tiveram tanta sorte os quatro jovens desaparecidos na Casa do Estudante de L'Aquila, aos quais os serviços de resgate continuarão procurando durante as próximas 48 horas, tempo que, segundo o primeiro-ministro, durarão os trabalhos de remoção de escombros, para os quais não é necessária a ajuda internacional.

"Agradecemos aos países estrangeiros por sua solidariedade, mas convidamos a não enviar suas ajudas. Estamos em disposição de responder sozinhos às exigências, somos um povo valente e de bem-estar e agradeço, mas bastamos por nós mesmos", disse o primeiro-ministro.

O líder italiano também falou sobre a situação dos milhares de deslocados que na noite passada tiveram que dormir ao ar livre, diante da impossibilidade de voltar para casa, e anunciou a instalação de mais tendas de campanha para protegê-los da chuva que deve cair nas próximas horas.

Vinte novas instalações serão habilitadas, com 2,416 mil tendas de campanha com capacidade para 14,5 mil pessoas e nas quais serão colocadas em funcionamento 16 cozinhas de acampamento, para oferecer comida quente aos 17 mil desabrigados.

Além da tragédia humana, há também a artística, já que edifícios de alto valor cultural, como o Forte Spagnolo, a basílica de Santa Maria di Collemaggio e a catedral de L'Aquila, que contém pinturas dos séculos XVII e XVIII, sofreram graves danos. EFE ebp-cs/an

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