Tremores atrapalham buscas na Itália; mortos são 281

Por Silvia Aloisi e Antonella Cinelli LAQUILA, Itália (Reuters) - Equipes de resgate retiraram na quinta-feira mais corpos dos escombros provocados pelo pior terremoto das últimas três décadas na Itália, mantendo o trabalho apesar dos violentos tremores secundários que praticamente eliminam a possibilidade de mais sobreviventes.

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O saldo oficial do terremoto de segunda-feira na região de Abruzzo subiu para 281 mortos, depois do resgate de mais corpos, inclusive dois estudantes em um alojamento universitário. Entre as vítimas, há 20 crianças.

Vários tremores foram sentidos em L'Aquila e arredores durante a manhã, danificando ainda mais os edifícios e levando as autoridades a isolar o centro da cidade, a parte mais afetada pelo sismo de magnitude 6,3.

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi chamou L'Aquila de "cidade fantasma" e disse que a reconstrução custará bilhões.

Os tremores assustaram muitos sobreviventes -- 17 mil dos quais passaram outra noite fria em barracas após ficarem sem casa. As equipes de resgate reconhecem que a cada hora diminui a esperança de encontrar sobreviventes nos escombros.

A última pessoa resgatada com vida, uma mulher de 20 anos, foi retirada das ruínas de um edifício de quatro andares na noite de terça-feira.

"Enquanto soubermos que há pessoas sob os escombros, nós manteremos as buscas mesmo que tivermos certeza de que elas estão mortas. As famílias precisam saber o que aconteceu com seus entes queridos", disse um bombeiro.

São raros os casos na história de pessoas que conseguiram passar mais de uma semana sob escombros depois de um terremoto. O governo disse que as buscas continuarão pelo menos até o domingo de Páscoa.

EM BUSCA DE CULPADOS

O cardeal Tarcisio Bertone, segundo homem na hierarquia do Vaticano, comandará o funeral das vítimas na Sexta-Feira Santa. Foi necessária uma licença especial da Igreja para isso, já que habitualmente não há missa nessa data. Parentes das vítimas já começaram a realizar funerais privados.

O presidente Giorgio Napolitano, em visita à região do desastre pela primeira vez, disse que era preciso responsabilizar os culpados e citou que prédios supostamente seguros contra terremotos também ruíram.

"Ninguém está livre de culpa", disse ele a jornalistas em L'Aquila. "Muitas pessoas estiveram envolvidas na construção dos prédios que ruíram. As pessoas precisam buscar em suas consciências."

Autoridades dizem que o terremoto terá um enorme impacto sobre a economia da região, que vive principalmente do turismo, da agricultura e de negócios familiares. As primeiras estimativas dão conta de prejuízos de até 3 bilhões de euros na região. O impacto sobre a economia da Itália, de 2 trilhões de euros, deve ser limitado.

O ministro da Indústria, Cláudio Scajola, disse que cerca de metade das empresas da região de Abruzzo "não está mais produzindo" depois do terremoto. Os negócios da região terão acesso preferencial ao crédito, afirmou ele, de acordo com a agência de notícias Ansa.

Berlusconi, que decretou emergência nacional e despachou milhares de soldados à região, presidiu na quinta-feira uma reunião do gabinete em Roma destinada a liberar verbas e benefícios fiscais para as comunidades afetadas. Até agora foram disponibilizados 100 milhões de euros para os trabalhos de resgate e benefícios fiscais.

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