Tremores atrapalham buscas na Itália; mortes chegam a 281

LAQUILA - Equipes de resgate retiraram na quinta-feira mais corpos dos escombros provocados pelo pior terremoto das últimas três décadas na Itália, mantendo o trabalho apesar dos violentos tremores secundários que praticamente eliminam a possibilidade de mais sobreviventes. O saldo oficial do terremoto de segunda-feira na região de Abruzzo subiu para 281 mortos.

Redação com Reuters |

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, foi nesta quinta-feira até o local do terremoto para averiguar os estragos e conversar com a população. "Estou aqui por dever, emoção e também gratidão por tudo o que vocês têm feito", disse o presidente Giorgio Napolitano em visita às equipes de resgate. Antes, ele esteve em um necrotério improvisado.


Presidente da Itália, Giorgio Napolitano, visitou a região afetada nesta quinta / AP

"Com a presença do presidente, sentimos o abraço de toda a Itália", disse Cesare Cardozo, pároco da aldeia de Onna, onde 39 dos 250 habitantes morreram.

Novos tremores

Vários tremores foram sentidos em L'Aquila e arredores durante a manhã, danificando ainda mais os edifícios e levando as autoridades a isolar o centro da cidade, a parte mais afetada pelo sismo de magnitude 6,3.

Os tremores assustaram muitos sobreviventes -- 17 mil dos quais passaram outra noite fria em barracas após ficarem sem casa. As equipes de resgate reconhecem que a cada hora diminui a esperança de encontrar sobreviventes nos escombros.

Muitas das vítimas estudavam na universidade de L'Aquila, e entre os mortos há pelo menos 16 crianças, sendo uma de apenas cinco meses.

O governador da região de Abruzzo, Gianni Chiodi, disse que pelo menos dez pessoas permanecem desaparecidas sob os escombros. Nenhum sobrevivente foi encontrado nas últimas 30 horas. A última pessoa resgatada com vida, uma mulher de 20 anos, foi retirada das ruínas de um edifício de quatro andares na noite de terça-feira.

São raros os casos na história de pessoas que conseguiram passar mais de uma semana sob escombros depois de um terremoto. O governo disse que as buscas continuarão pelo menos até o domingo de Páscoa.


Bombeiros vão manter as buscas até domingo / AP

Cardeal no funeral

O cardeal Tarcisio Bertone, segundo homem na hierarquia do Vaticano, comandará o funeral das vítimas na Sexta-Feira Santa. Foi necessária uma licença especial da Igreja para isso, já que habitualmente não há missa nessa data. Parentes das vítimas já começaram a realizar funerais privados.

O primeiro-ministro Silvio Berlusconi, que decretou emergência nacional e despachou milhares de soldados à região, presidiu na quinta- feira uma reunião do gabinete em Roma destinada a liberar verbas e benefícios fiscais para as comunidades afetadas.

A polícia disse que impediu vários saques. Um homem foi detido durante a noite com 80 mil euros (106,2 mil dólares), mas liberado após provar que a quantia lhe pertencia, segundo a imprensa local.

As autoridades dizem que 28 mil pessoas perderam suas casas, sendo que 17 mil estão vivendo em acampamentos montados pelo governo, e as demais em hotéis e casas de parentes.

As primeiras estimativas dão conta de prejuízos de até 3 bilhões de euros na região, que vive do turismo, da agricultura e de negócios familiares. O impacto sobre o PIB da Itália, de 2 trilhões de euros, deve ser limitado.


Epicentro do terremoto foi em L'Aquila, no centro da Itália


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