Tremor quase não afeta bairros nobres de Santiago

Os três principais bairros nobres de Santiago, Las Condes, Vitacura e La Dehesa, aparentam estar quase intactos após o terremoto de 8,8 graus de magnitude que afetou o país no último dia 26 de fevereiro. O asfalto, as casas, os restaurantes e os prédios parecem não ter sofrido nada desde o desastre.

BBC Brasil |

Na maioria dos casos, eles foram construídos para resistir aos tremores que marcam a trajetória deste país sísmico.

Na avenida Alonso de Córdova, uma das mais caras de Santiago, no bairro de Vitacura, o único sinal do terremoto de 8,8 graus de magnitude está estampado em algumas vitrines. Elas oferecem "Descontos de 80% por causa do terremoto".

Num restaurante de massas da Avenida Vitacura, a tela da televisão quebrada é o registro material de que o terremoto também chegou ali.

"Tínhamos acabado de fechar o restaurante quando tudo tremeu com fúria. Mas foi só mesmo a televisão, copos e pratos que quebraram. Nada mais. O restante está todo igual", disse o garçom José Víctor Hernández.

Na área conhecida como pré-cordilheira por estar próxima as Cordilheiras dos Andes, no bairro La Dehesa, o principal shopping, Portal La Dehesa, reabriu suas portas neste fim de semana.

Por fora, a construção na cor mostarda está inabalável, mas por dentro várias lojas informam, em pequenos cartazes, que estão em obras.

Elas foram atingidas pelos tremores, seja porque os vidros quebraram, porque as prateleiras caíram ou as paredes sofreram rachaduras.

Em Santiago, todos os chilenos parecem ter sentido o forte terremoto - e os persistentes tremores secundários - e cada um tem a sua história de susto para contar.

Mas como disseram o publicitário Eduardo Ibarra e sua mulher Daniela Certora, que estavam num restaurante do shopping e moram em La Dehesa, os efeitos do terremoto não foram iguais para todos.

"A pré-cordilheira é uma região de terra dura e aqui as casas e prédios são preparados para os terremotos", disse Ibarra. "Nós moramos numa casa feita para suportar os tremores. Mesmo assim sentimos como tudo tremia com força. Mas temos muita sorte. O triste é quem perdeu família, perdeu a casa ou morava em apartamentos novos e que não estavam em condições para esta marca típica chilena, os tremores", afirmou Daniela.

Ibarra trabalha numa empresa cujo escritório está no bairro conhecido como Cidade Empresarial, por reunir várias representações de companhias de médio e grande porte, em Santiago.

O edifício foi abalado pelo terremoto e interditado. Especialistas afirmam que a terra ali é fofa demais para que as construções - todas novas - resistam aos tremores.

Como forma de ajudar, contaram Ibarra e a mulher, a filha adolescente, Antonia, e 14 anos, está trabalhando numa das campanhas para ajudar as vítimas do desastre. Ela não estava com eles no restaurante porque estava no trabalho beneficente.

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