Tremor deixou 5.335 crianças mortas ou desaparecidas na China

Por Ben Blanchard PEQUIM (Reuters) - A China estimou na quinta-feira em 5.335 o número oficial de crianças em idade escolar que morreram ou desapareceram por causa do terremoto do ano passado na província de Sichuan. A cifra é bem inferior ao número compilado pela imprensa na época.

Reuters |

Muitos pais dizem que seus filhos foram vítimas de construções escolares precárias, já que prédios de apartamentos e órgãos públicos permaneceram de pé, enquanto escolas próximas desabaram.

Ao todo, o terremoto de 12 de maio de 2008 matou cerca de 80 mil pessoas. Uma compilação de relatos da agência Xinhua e de jornais locais na época do tremor colocava o número de alunos e professores mortos e desaparecidos em cerca de 9.000.

Ai Weiwei, célebre artista e arquiteto que vem compilando seu próprio número de estudantes mortos, disse à Reuters que não acredita nas cifras do governo. "Primeiro, esses números estão longe de refletir a realidade. Segundo, são irresponsáveis", disse ele por telefone.

Na estimativa dele, deve haver cerca de 7.000 estudantes mortos. "(As autoridades) não realizaram uma pesquisa adequada. Isso se reflete de forma ruim na credibilidade do governo."

Tu Wentao, secretário de Educação de Sichuan, disse que 3.340 escolas precisaram ser reconstruídas depois do terremoto.

"A província de Sichuan prometeu ter 95 por cento dos estudantes de volta aos prédios escolares, e não em tendas ou estruturas pré-fabricadas, até o final deste ano", disse a agência Xinhua.

Alguns pais que protestaram contra a estrutura precária dos prédios escolares acabaram sendo intimidados ou presos.

Jornalistas estrangeiros também foram alvo de perseguições. Nesta semana, o Clube dos Correspondentes Estrangeiros na China disse ter registrado três casos de repórteres que foram atacados em Sichuan.

"Devido à violência dos encontros e de um aparente aumento na frequência dos relatos, parece que a situação está se tornado mais volátil, e aconselhamos cautela extra ao visitar essas áreas", disse nota da entidade.

Hou Xinongfei, porta-voz do governo regional, disse que as autoridades não receberam nenhuma queixa, e acusou alguns jornalistas de criarem problemas.

"Certamente um pequeno número da mídia estrangeira veio à zona de desastre não para reportar, mas para tumultuar as coisas. Alguns repórteres faziam aos sobreviventes perguntas como 'Por que vocês não se organizam e enfrentam o governo?'", disse Hou à Xinhua. "Que país ou governo daria as boas-vindas a esse tipo de jornalista?"

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