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Segundo comissão, participantes do Festival da Água temeram que ponte ruísse e tentaram fugir; número de mortos sobe para 456

O tremor de uma ponte cheia com milhares de pessoas desatou o pânico e o tumulto que deixou centenas de mortos na capital do Camboja na segunda-feira, de acordo com uma investigação do governo.

Cambojana chora durante cremação do corpo de filha que morreu em tumulto em ponte em Phnom Penh
AP
Cambojana chora durante cremação do corpo de filha que morreu em tumulto em ponte em Phnom Penh
Segundo a TV Bayon, que atua como porta-voz estatal, uma comissão descobriu que muitas pessoas que participavam do Festival da Água, o maior do Camboja, eram do interior e não sabiam que era normal que uma ponte suspensa tremesse.

Pelo temor de que ela ruísse, eles tentaram escapar e causaram o tumulto na ponte, que liga a ilha fluvial de Diamante com Phnom Penh. Na confusão, pessoas morreram pisoteadas, enquanto outras caíram no rio e morreram afogadas.

Uma equipe de dez agentes colheu depoimentos entre as vítimas para esclarecer as causas do ataque de pânico coletivo desencadeado na ponte. "Acreditamos que o tumulto começou porque a ponte teria balançado e as pessoas se assustaram porque acharam que poderia cair", disse Heng Vihol, responsável de Segurança e Informação do Ministério do Interior.

"Alguns dizem que se assustaram porque viram jovens brigando, outros porque pensavam que a ponte cairia e outros simplesmente porque não conseguiam respirar", acrescentou Son Eing, membro da equipe de investigação, após falar com vários sobreviventes.

O governo descartou que o tumulto tenha sido causado por descargas elétricas do sistema de iluminação da ponte, versão que foi defendida pelas autoridades sanitárias. "Não vimos nenhum caso de pessoas eletrocutadas", disse a médica Lim, do hospital Calmette, que recebeu o maior número de mortos e feridos.

Nesta quarta-feira está previsto o funeral dos mortos, que nesta quarta-feira subiu para 456 mortos, segundo um novo balanço do Ministério de Assuntos Sociais. De acordo com o governo, o aumento do total de mortos de 378 para 456 se deve ao fato de que algumas das vítimas foram levadas diretamente para suas casas após o acidente.

O primeiro-ministro, Hun Sen, afirmou que essa é "a maior tragédia desde o regime de (Khmer Vermelho) Pol Pot", que deixou 1,7 milhão de mortos entre 1975 e 1979.

O hospital Calmette está sobrecarregado pela chegada de feridos e corpos, que se amontoam nas salas cobertos com lençóis e toalhas. Os médicos atribuem a maioria das mortes a traumatismos internos, insuficiências respiratórios e à asfixia provocada pela avalanche humana que atingiu 18 mil pessoas na ponte, segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Phay Siphan.

Um deles é o de Sopheap, de 21 anos, colocado em uma pequena tenda improvisada onde seus familiares a identificaram. "Ela tinha ido assistir a uma apresentação com suas amigas. Quando vi pela televisão o que havia acontecido, a chamei, mas como não respondeu comecei a buscá-la nos hospitais", disse Rum Thearey, uma de suas irmãs.

Cheng Sony, que trabalha na ilha e voltava ao continente após terminar sua jornada, estava no centro da ponte quando as pessoas começaram a empurrá-lo. "Caí no chão e cobri a cabeça com as mãos. Não sei o que mais aconteceu. Tiveram de me tirar de lá, mas não lembrava nada", contou.

A cambojana Chuop Sokheng foi uma das pessoas que se jogaram na água para não serem esmagadas, teve sorte e não se afogou, mas dois de seus filhos, de 6 e 13 anos, morreram no rio.

O primeiro-ministro do Camboja, Hun Sen, declarou luto nacional na quinta-feira e ordenou que as instituições do Estado hasteiem a bandeira a meio mastro em sinal de luto.

As autoridades estimaram que cerca de 2 milhões de pessoas estiveram no local para celebrar a última jornada do festival, que dura três dias e reúne, nas margens do rio Tonle Sap, uma multidão para homenagear a água e se despedir das monções.

*Com AP, AFP e EFE

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