Por Jon Herskovitz e Kim Jungghyun SEUL (Reuters) - Um trem de carga que atravessa diariamente a fronteira entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul, outrora considerado um símbolo de cooperação econômica, viaja vazio 90 por cento do tempo, disseram autoridades na quinta-feira.

O primeiro serviço ferroviário regular entre os dois lados em mais de 50 anos começou a operar em dezembro. A linha tem 20km de extensão, saindo do noroeste de Seul e dirigindo-se a uma área fabril logo ao norte da fronteira da Coréia do Norte, onde empresas sul-coreanas usam mão-de-obra barata norte-coreana.

O trem levou carga somente 14 vezes em 163 viagens diárias feitas desde 11 de dezembro do ano passado até agosto deste ano, de acordo com o Ministério da Unificação sul-coreano. O serviço diário foi cortado durante a Guerra da Coréia (1950-53).

"A operação é, em grande parte, simbólica, mas mostra a continuidade das trocas regulares, apesar das relações estremecidas entre os dois países", disse uma autoridade do ministério, que pediu para não ser identificada.

As relações entre as duas Coréias pioraram desde que o presidente conservador Lee Myung-bak tomou posse na Coréia do Sul, em fevereiro, e cortou uma pequena ajuda que o Sul enviava ao Norte, que é bastante pobre. Tecnicamente, os dois países ainda estão em guerra, apesar do fim das hostilidades depois de uma trégua, não um tratado de paz, em 1953.

Em resposta, Pyongyang ameaçou cortar todas as relações e chamou Lee de "bajulador dos Estados Unidos afeito a guerras".

Lee, que tomou posse em fevereiro, prometeu um enorme plano de ajuda para a Coréia do Norte, mas disse que somente o forneceria quando o programa nuclear norte-coreano fosse encerrado.

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