Treinador é proibido de se ajoelhar e rezar nos EUA

O respeito estrito da laicidade nos Estados Unidos levou uma Corte de Apelações federal a proibir, nesta terça-feira, o treinador de futebol americano de um colégio de Nova Jersey de se ajoelhar para participar, em silêncio, das preces de sua equipe.

AFP |

Professor de espanhol e treinador no colégio público de East Brunswick desde 1983, Marcus Borden pedia a um pastor uma ação de graças na refeição, antes de uma partida, e convidava seus jogadores a se ajoelharem no vestiário para rezar antes de entrar em campo.

No início de 2005, os pais alegaram, contudo, que se tratava de uma intromissão da religião em uma instituição pública, algo que contraria a neutralidade imposta pela Constituição ao Estado em matéria de religião, tema muito sensível nos EUA.

A direção do colégio publicou, então, regras rígidas na matéria: os alunos eram livres para rezar, desde que não alterassem a ordem pública, ao mesmo tempo que os professores estavam proibidos de participar.

Borden passou, então, a fechar os olhos, baixar a cabeça e se ajoelhar em silêncio no vestiário como forma de fazer valer sua liberdade de expressão e de respeito para com seus jogadores.

Em julho de 2006, um juiz de primeira instância deu razão ao treinador, argumentando que as regras impostas pela direção eram muito vagas.

Por unanimidade, a Corte de Apelações federal da Filadélfia anulou esta decisão e garantiu que o colégio deveria fazer respeitar o princípio de laicidade, destacando que "qualquer observador razoável concluiria que Borden não está apenas manifestando seu respeito quando abaixa a cabeça e se ajoelha no vestiário, mas que, em seu lugar, está endossando religião", diz o texto.

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