Trégua entre Israel e Hamas é ameaçada por foguetes e mortes de palestinos

GAZA - A morte de seis milicianos do Hamas em incursões terrestres e aéreas do Exército israelense em Gaza e a resposta dos milicianos palestinos com o lançamento de pelo menos 40 foguetes e bombas contra Israel ameaçam o acordo de final de hostilidades, firmado desde junho, na região.

Redação com EFE |

Na operação terrestre seis soldados israelenses também ficaram feridos, dois deles gravemente, indicam fontes militares de Israel.

A escalada de violência na região começou ontem à noite coincidindo com a realização das eleições presidenciais nos Estados Unidos e a apenas um mês e meio para o final do período de seis meses de trégua estipulado entre Israel e Hamas em junho.

Os seis milicianos palestinos, membros das Brigadas de Ezzedin al-Qassam, braço armado do movimento islâmico, morreram em confrontos com soldados israelenses e ataques aéreos sobre o centro de Gaza.

Fontes do Hamas disseram que as tropas israelenses e os milicianos palestinos protagonizaram confrontos violentos na região que compreende o leste do campo de refugiados de Al-Bureij e a localidade de Deir al-Balakh, onde também foram registrados feridos.

Nesta área irromperam ontem à noite forças terrestres israelenses apoiadas por veículos blindados, que se retiraram no início da manhã após destruírem um túnel cavado por milicianos e destinado ao "seqüestro de soldados", informa em comunicado o Exército de Israel.

Moradores da região disseram ter escutado várias explosões e tiroteios, enquanto helicópteros da Força Aérea israelense sobrevoavam a região a abriam fogo contra os milicianos palestinos.

Uma porta-voz do Exército israelense disse à Agência Efe que a incursão se tratou de um fato pontual, destinado a destruir o túnel, que era uma "grande ameaça" e que estava a 250 metros da cerca de segurança que circunda Gaza.

O braço armado do Hamas assumiu a autoria do lançamento de várias dezenas de bombas e foguetes contra solo israelense já de manhã, mas sem deixar feridos ou causar danos relevantes.

"Nunca ficaremos calados perante as violações da ocupação israelense apesar da trégua. Enfrentaremos qualquer agressão contra o povo palestino e nossas milícias", advertiu a facção armada.

Cessar-fogo

Este é o primeiro confronto armado entre forças israelenses e milicianos em Gaza desde a entrada em vigor, em 19 de junho, do cessar-fogo temporário na região e que foi conseguido graças à mediação do Egito.

O Cairo também media as negociações entre Hamas e Fatah para conseguir sua aproximação ou o reatamento do denominado "diálogo nacional", com uma reunião prevista para segunda-feira na capital egípcia.

O Hamas acusou hoje Israel de tentar sabotar este encontro e jogar por terra a cessação das hostilidades.

"Esta agressão mostra que Israel não está interessado na trégua e continua agredindo os palestinos. É óbvio que pretende envenenar a atmosfera antes de o diálogo começar", asseverou o porta-voz do Hamas Fawzi Barhum.

Por sua parte, o Exército israelense ressaltou que "não tem intenção de ameaçar a trégua" e que a operação em Gaza teve como propósito "eliminar um perigo e ameaça imediatos representados pelo Hamas".

Enquanto isto, o Ministério da Defesa israelense decidiu fechar as passagens de mercadorias e cruzamentos fronteiriços de Gaza, em resposta ao lançamento em massa de foguetes contra seu território.

O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, se encontrou com altos comandantes do Exército e entidades de segurança para analisar a última espiral bélica, que mais uma vez parece ameaçar a relativa calma na região há mais de quatro meses e meio.

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