Trechos do discurso de Barack Obama ao Congresso dos EUA

Washington, 24 fev (EFE).- Seguem trechos do discurso que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pronunciou hoje em uma sessão conjunta do Congresso, com senadores e deputados: - Vivemos em uma era na qual com muita frequência os lucros em curto prazo se sobrepuseram à prosperidade no longo prazo; em que não olhamos além do próximo pagamento, do próximo trimestre, ou da próxima eleição.

EFE |

Um superávit se tornou uma desculpa para transferir riqueza aos ricos em vez de uma oportunidade para investir em nosso futuro".

"As regulações foram esquecidas em favor de uma lucro rápido, às custas de um mercado saudável. As pessoas compraram casas que não podia pagar a bancos e pessoas que fazem empréstimos que, de todas maneiras, promoveram esses créditos. Tudo isso enquanto os debates cruciais e as decisões difíceis se adiavam para o dia seguinte".

- "Bom, chegou o momento de abrir os olhos, o momento de assumir que o destino está em nossas mãos".

- "Este é o momento de atuar de maneira sensata e ousada - não só de reavivar esta economia, mas de dar forma aos novos alicerces de uma prosperidade permanente. Este é o momento de dar um empurrão na criação de empregos, de retomar os créditos e de investir em áreas como energia, atendimento médico e educação, com as quais nossa economia crescerá até quando tenhamos que tomar decisões difíceis para reduzir o déficit. Para isso é que se desenhou minha agenda econômica e isso é do que quero falar esta noite".

- "O plano de recuperação e o plano de estabilidade financeira são as medidas imediatas que estamos tomando para retomar nossa economia no curto prazo. Mas a única forma de restabelecer plenamente o poder econômico dos EUA é fazer investimentos de longo prazo que levem à criação de novos empregos, novas indústrias e uma capacidade renovada para competir com o resto do mundo".

"A única forma para que este século seja outro século dos EUA é enfrentar, finalmente, o preço de nossa dependência do petróleo e o alto custo do atendimento médico, das escolas que não preparam nossas crianças e da montanha de dívida que elas terão que herdar.

Esta é nossa responsabilidade".

- "Nos próximos dias, apresentarei um novo orçamento ao Congresso. Com muita frequência chegamos a considerar estes documentos como simples números em uma página ou uma lista de programas. Eu vejo este documento de maneira diferente. Vejo como uma visão para EUA, como um projeto para nosso futuro".

"Meu orçamento não pretende resolver todos os problemas ou atender cada dificuldade. Reflete a dura realidade do que herdamos, US$ 1 trilhão em déficit, uma crise financeira e uma dura recessão".

- "Tendo se dado conta destas realidades, todos neste Congresso -democratas e republicanos- terão que sacrificar algumas de suas valiosas prioridades para as quais não há dólares. E isso me inclui".

"Mas isto não significa que possamos nos dar o luxo de fazer pouco caso dos desafios em longo prazo. Rejeito a ideia que diz que nossos problemas simplesmente se resolverão por si sós; que diz que o Governo não deve intervir em fixar os alicerces de nossa prosperidade".

- "Ontem participei de uma cúpula fiscal onde prometi reduzir pela metade o déficit fiscal até o fim do meu primeiro mandato.

Minha administração também começou a analisar ponto a ponto o orçamento federal com o objetivo de eliminar programas caros e ineficientes".

"Como podem, imaginar, este é um processo que levará algum tempo.

Mas começaremos com os pontos maiores. Já identificamos US$ 2 trilhões em economias para a próxima década".

- "Neste orçamento, daremos fim aos programas de educação que não tenham dado resultado e aos pagamentos diretos às grandes empresas agrícolas que não precisam deles. Eliminaremos os contratos sem licitação que foram um esbanjamento de bilhões de dólares no Iraque, e reformaremos nosso orçamento de defesa de modo que não paguemos armas da Guerra Fria que não usamos".

"Erradicaremos o esbanjamento, a fraude, assim como o abuso em nosso programa de auxílio médico, que não faz com que nossa gente de idade mais avançada seja mais saudável, e restabeleceremos um sentido de justiça e equilíbrio em nosso código tributário, ao eliminar, finalmente, as isenções fiscais a empresas que exportam nossas fontes de trabalho".

- "Reconheço que não coincidimos até agora em vários temas e seguramente haverá momentos no futuro em que nos distanciaremos. Mas também sei que cada americano que está sentado aqui esta noite ama este país e deseja que ele tenha sucesso".

"Esse deve ser o ponto de partida para cada debate que sustentemos nos próximos meses e ao qual retornemos uma vez que eles se concluam. Este é o alicerce sobre o qual o povo americano espera que construamos um terreno comum".

- "Em minha vida também aprendi que a esperança pode ser encontrada nos lugares mais insólitos; que a inspiração com frequência vem, não dos que têm mais poder ou celebridade, mas dos sonhos e aspirações dos americanos comuns".

- "Penso em Leonard Abess, o presidente de um banco de Miami que recebeu um bônus de US$ 60 milhões e o entregou a 399 pessoas que trabalhavam para ele, além de outras 72 que antes haviam trabalhado para ele. Não disse a ninguém, mas quando um jornal local e o perguntou, simplesmente disse: 'Conhecia a esta gente desde que tinha sete anos. Não achei que fosse correto ficar com o dinheiro'".

- "Penso em Greensburg, no Kansas, um povoado que foi totalmente destruído por um tornado e que está sendo reconstruído por seus moradores como exemplo global da forma como a energia limpa pode dar vigor a toda uma comunidade, de como pode levar trabalho e empresas a um lugar onde só havia montes de tijolos e escombros. 'A tragédia foi terrível', disse um dos homens que lhes ajudou na reconstrução.

'Mas as pessoas daqui sabem que também proporcionou uma oportunidade incrível'".

- "E penso em Ty'Sheoma Bethea, a pequena jovem dessa escola que visitei em Dillon, Carolina do Sul, um lugar onde o teto tem goteira, onde a pintura cai das paredes e onde têm que interromper suas aulas seis vezes ao dia porque o trem passa muito perto de suas salas".

"No outro dia, após a aula, ela foi à biblioteca pública e escreveu a máquina uma carta dirigida aos que estão neste Congresso.

Até pediu ao diretor da escola dinheiro para comprar o selo dos correios: 'Somos só estudantes que tentamos chegar a ser advogados, médicos, legisladores como vocês, e algum dia presidentes, para assim levar uma mudança não só ao estado da Carolina do Sul mas também ao mundo. Não nos damos por vencidos'". EFE ojl/jp

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