Trechos da nova encíclica de Bento XVI

Seguem alguns extratos da terceira encíclica Caritas in Veritate do Papa Bento XVI, publicada nesta terça-feira pelo Vaticano.

AFP |

"A crise nos obriga a revisar nosso caminho, a dar-nos novas regras e a encontrar novas formas de compromisso".

"É verdade que o desenvolvimento foi e continua sendo um fator positivo que tirou da miséria milhares de milhões de pessoas (...) No entanto, é preciso reconhecer que o próprio desenvolvimento econômico esteve, e ainda está, enfraquecido por desvios e problemas dramáticos, que a crise atual põe de manifesto".

"As forças técnicas que se movem, as inter-relações planetárias, os efeitos perniciosos sobre a economia real de uma atividade financeira mal utilizada e em boa parte especulativa, os imponentes fluxos migratórios, frequentemente provocados e depois não administrados adequadamente, ou a exploração sem regras dos recursos da terra, nos induz, hoje, a refletir sobre as medidas necessárias para solucionar problemas".

"É necessário que amadureça uma consciência solidária que considere a alimentação e o acesso à água direitos universais de todos os seres humanos, sem distinções nem discriminações".

"Quando uma sociedade caminha para a negação e a supressão da vida, acaba por não encontrar a motivação e a energia necessárias para esforçar-se a serviço do verdadeiro bem do homem".

"É importante destacar, além disso, que a via solidária para o desenvolvimento dos países pobres pode ser um projeto de solução da crise global atual, como intuiram nos últimos tempos políticos e responsáveis por instituições internacionais".

"A globalização não é, a priori, nem boa nem má. Será o que as pessoas fizerem dela".

"Responder às exigências morais mais profundas da pessoa tem também importantes efeitos benéficos no plano econômico. Com efeito, a economia tem necessidade da ética para seu correto funcionamento".

"A dignidade da pessoa e as exigências da justiça requerem, sobretudo hoje, que as opções econômicas não contribuam para aumentar de maneira excessiva e moralmente inaceitável as desigualdades e que se continue buscando como prioridade o objetivo de acesso ao trabalho, ou sua manutenção, por parte de todos".

"Convém, no entanto, elaborar um critério de discernimento válido, ante certo abuso do adjetivo 'ético'".

"Ante o aumento da interdependência mundial, e também em presença de uma recessão de alcance global, sente-se a urgência de reforma tanto da Organização das Nações Unidas como da arquitetura econômica e financeira internacional, para que se dê um significado real ao conceito de família de nações".

"Sente-se a urgência de encontrar formas inovadoras para pôr em prática o princípio da responsabilidade de proteger e dar também voz eficaz nas decisões comuns as nações mais pobres".

"Para governar a economia mundial, para sanear as economias afetadas pela crise, para prevenir que se torne pior com maiores desequilíbrios conseguintes, para conseguir um oportuno desarmamento integral, a segurança alimentar e a paz, para garantir a salvaguarda do ambiente e regular os fluxos migratórios, urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial".

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