Tratado nuclear é imperativo para a segurança dos EUA, diz Obama

Presidente pede que Congresso aprove neste ano pacto de redução de arsenais com Rússia; republicanos pretendem adiar votação

iG São Paulo |

AFP
Presidente dos EUA, Barack Obama, fala durante encontro sobre o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start) ao lado do ex-secretário de Estado Henry Kissinger
Durante reunião na Casa Branca com ex-secretários de Estado republicanos e democratas, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira que ratificar o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start) com a Rússia é "imperativo para a segurança nacional", afirmando esperar que os legisladores o aprovem antes do final do ano.

"É um imperativo da segurança nacional que os EUA ratifiquem o novo tratado Start neste ano", disse Obama no Salão Roosevelt da Casa Branca, ao lado de ex-secretários de Estado republicanos - e negociadores da Guerra Fria - Henry Kissinger e James Baker, e da ex-secretária democrata Madeleine Albright, com o objetivo de pressionar os republicanos, que se opõem à ratificação do tratado.

"Não se trata de política, e sim de segurança nacional", disse com o objetivo de pressionar os senadores republicanos reticentes a considerar antes de fim do ano o texto do pacto que reduzirá os arsenais nucleares de Washington e Moscou. Na quarta-feira, os republicanos indicaram que pretendem votar a medida só no próximo ano.

Para Obama, o fracasso em aprovar o Start comprometeria a segurança nacional americana, a "retomada" das relações entre Washington e Moscou e afastaria os inspetores de armas americanos do arsenal nuclear russo. Consultado se teria os votos no Senado para aprovar o tratado, apesar das táticas de protelamento republicanas, Obama respondeu: "Estou confiante de que seremos capazes de conseguir os votos."

A oposição republicana ameaça bloquear qualquer esforço para ratificar o novo Start, em uma votação que seria uma vitória necessária no campo da política externa para a administração Obama. A ratificação do Senado requer 67 votos de um total de 100 - maioria que já era bastante difícil para a Casa Branca antes das eleições de 2 de novembro, que elevou o número de assentos dos republicanos para 47.

O desafio ficará ainda mais difícil em janeiro, quando assumir o novo Congresso eleito na votação de 2 de novembro, quando os republicanos derrotaram os democratas, assumindo o controle da Câmara de Representantes e reduzindo a maioria rival no Senado.

Na véspera, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, fez um apelo ao Senado para que os parlamentares votem o mais rápido possível o histórico tratado sobre armas nucleares assinado com a Rússia. "Podemos e devemos avançar", disse Hillary, durante uma rara visita ao Congresso para promover a aprovação do tratado. "Esse acordo está pronto para ser votado pelo Senado dos EUA."

O presidente americano discursou horas antes de partir para a cúpula da Otan, em Portugal, onde ele encontrará o colega russo, Dmitri Medvedev, a quem assegurou, durante visita ao Japão, no sábado, que a aprovação do tratado Start é sua maior prioridade.

Durante o encontro desta quinta-feira, o presidente sugeriu que os republicanos estariam agindo motivados por interesses partidários, ao lembrar que todos os presidentes americanos, desde o republicano Ronald Reagan, concordaram em assinar tratados de armas com Moscou e conseguiram a ratificação do Senado.

O fracasso em aprovar o acordo sugeriria que Obama está extremamente enfraquecido politicamente, depois que as eleições de meio de mandato trouxeram à tona dúvidas sobre sua capacidade de aprovar leis importantes, e representaria uma humilhação pessoal diante dos outros líderes mundiais.

O novo Start restringe os arsenais russo e americano a um máximo de 1.550 ogivas, o que representaria um corte de cerca de 30% sobre o limite estabelecido em 2002. O pacto também permitiria o retorno dos inspetores americanos, que não têm conseguido monitorar o arsenal russo desde que o tratado anterior expirou, em dezembro de 2009.

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