LA PAZ (Reuters) - O tratado de criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) será firmado na sexta-feira, na cúpula de Brasília, anunciou na terça-feira o chanceler boliviano, David Choquehuanca. O bloco é formado por 12 países da América do Sul -- Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

O documento, negociado de antemão pelos diplomatas, será formalmente apresentado pelo boliviano Evo Morales, presidente 'pro tempore' da Unasul.

'Esse tratado já alcançou o consenso e está praticamente terminado. O que os presidentes têm de fazer é assinar a ata de nascimento deste espaço de integração não só comercial, mas integral e a serviço dos interesses dos povos', disse Choquehuanca a jornalistas.

Até agora, os 12 países sul-americanos mantêm acordos comerciais por blocos, como o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações, mas não em conjunto.

A terceira cúpula presidencial da Unasul estava originalmente marcada para o fim de março em Cartagena (Colômbia), mas foi adiada e transferida devido à crise provocada pela ação militar colombiana em território equatoriano, no começo daquele mês.

Nas duas cúpulas anteriores, os membros designaram Quito como sede administrativa permanente e Cochabamba (Bolívia) como sede de um futuro Parlamento Sul-Americano.

Choquehuanca acrescentou que os presidentes participantes possivelmente vão aproveitar o encontro em Brasília para discutir a proposta brasileira de criar um Conselho Sul-Americano de Defesa.

A iniciativa foi lançada durante a crise diplomática de março. Na segunda-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, concluiu em La Paz uma série de viagens a todos os países sul-americanos para promover essa idéia.

'Todos apóiam a idéia, uns com mais entusiasmo que outros, e o projeto poderia receber um grande impulso com a cúpula de Brasília', disse Jobim a jornais bolivianos.

(Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

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