Genebra, 28 abr (EFE).- A confirmação da transmissão entre pessoas do vírus da gripe suína nos Estados Unidos levaria a Organização Mundial da Saúde (OMS) a elevar o alerta mundial a um nível crítico (para cinco, em uma escala até seis), reconheceu hoje um porta-voz da instituição.

"Parece, porque ainda estamos à espera da confirmação final das autoridades dos EUA, que há casos em uma escola de Nova York que podem ser (produto) de uma transmissão entre humanos", disse Gregory Hartl, porta-voz da OMS.

Por enquanto, sabe-se com certeza que a infecção é transmitida entre pessoas no México, enquanto são investigados também se os casos registrados no Canadá (seis confirmados até agora) são consequência do contágio entre humanos dentro de uma comunidade ou foram "importados".

O nível de alerta cinco significa que o vírus é transmitido de pessoa a pessoa em pelo menos dois países de uma região da OMS e implica em que uma pandemia é iminente.

Atualmente, o alerta está no nível quatro, o que significa que se verificou uma transmissão do vírus de pessoa a pessoa, de modo que podem surgir focos em nível local.

Sobre a produção de uma vacina contra a gripe suína, Hartl revelou que quatro laboratórios de referência da OMS estão trabalhando para reproduzir a cepa de base do vírus, necessária para a fabricação da vacina.

Em qualquer caso, disse que "o sinal (para a produção de vacinas contra a gripe suína) só acontecerá depois de entrar na fase cinco".

Isso implicará em uma redução drástica na produção das vacinas normais contra a gripe sazonal, advertiu Hartl, já que os esforços dos laboratórios com capacidade nesta área deverão se concentrar nos esforços para frear uma iminente pandemia.

O porta-voz afirmou que o vírus da gripe suína detectado em seres humanos "não apresentou, até agora, resistência aos dois remédios utilizados para tratá-lo (oseltamivir e zanamivir)".

O porta-voz da OMS, Gregory Hartl, pediu para "não cair em rumores que podem distorcer os fatos", em relação a eventuais novos focos de gripe suína.

Sobre um suposto caso detectado na China, sustentou que, "por enquanto, trata-se de um rumor".

Reiterou que a OMS não aconselha as restrições de viagens ou fechamentos de fronteiras, já que, "em termos de saúde pública, quando se viaja não é possível submeter cada pessoa a uma revisão médica e esperar deter a doença".

"Se alguém está com febre e tosse, pode ser por muitas outras razões. Por outro lado, se uma pessoa está infectada com este novo vírus, pode não apresentar sintomas", disse o porta-voz Por isso, ressaltou, "as restrições de viagem não funcionam".

Este vírus fica em incubação entre dois e seis dias, e os sintomas severos levam cinco dias para aparecer, e é nessa fase que se entra "em um período perigoso".

No entanto, Hartl disse que "é prudente que os Governos digam a seus cidadãos que pensem duas vezes antes de ir a áreas afetadas".

Sobre a alta mortalidade do vírus no México, Hartl disse que os especialistas ainda não encontraram uma explicação, e sustentou que esta infecção pode ter se complicado com infecções preexistentes e torná-la mais severa.

Segundo o porta-voz da OMS, "talvez não tenha se reconhecido a doença. Quando nunca se viu uma doença, os médicos não sabem como tratá-la", e acrescentou que "os que estão no início de um foco são mais vulneráveis". EFE is/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.