Susana Samhan. Cairo, 1 set (EFE).- A maioria dos muçulmanos do Oriente Médio iniciou hoje em um ambiente tranqüilo o mês do Ramadã, marcado pela abstinência, e que em países como o Egito é celebrado com reuniões familiares.

Durante este mês, os mais de 1,3 bilhão de muçulmanos do mundo, dos quais cerca de 250 milhões se concentram no Oriente Médio, se abstêm de comer, beber, fumar e manter relações sexuais desde o amanhecer até o pôr-do-sol.

O dia amanheceu tranqüilo nos países árabes onde o Ramadã já começou, como Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iêmen, Kuwait, Líbano e Síria, além dos territórios palestinos, após a primeira faixa da lua crescente, que marca o início do mês sagrado.

No Iraque, os muçulmanos sunitas também iniciaram a abstinência, enquanto seus compatriotas xiitas farão o mesmo amanhã.

Já os iranianos, de maioria xiita, realizam hoje o "youm ilshak" (o dia da dúvida), no qual o jejum é opcional, mas não é contabilizado para o mês do Ramadã, que começa oficialmente amanhã na república islâmica.

Outros estados árabes, como a Líbia, começaram o mês sagrado ontem.

No Egito, muitas lojas não abriram, e o caos habitual do trânsito e de pessoas nas ruas foi substituído por uma calma absoluta.

Em um dos poucos estabelecimentos abertos, uma confeitaria no centro do Cairo, Mohamad trabalha como operador de caixa e explicou à Agência Efe que tudo estava tranqüilo pela manhã porque "o trabalho começa duas ou três horas antes do iftar (comida que quebra o jejum, ao pôr-do-sol)".

Segundo Mohamad, "agora as pessoas estão dormindo após permanecerem acordadas até o suhur (comida antes do jejum, antes do amanhecer) de ontem à noite".

O jejum termina após o pôr-do-sol, quando não se pode distinguir um fio preto de um branco e as famílias muçulmanas se reúnem para comerem o iftar, refeição com a qual quebram o jejum e a abstinência.

Para a ruptura do jejum, Fátima, uma dona de casa egípcia, disse que cozinharia "frango, pato e cisne".

"Depois do iftar, vamos à mesquita orar e escutar tawashih (canções religiosas)", conta Fátima.

Já Mohamad disse que "normalmente depois do iftar os muçulmanos comem doces e saem para fazer compras e passear".

O Ramadã, que antigamente significava "calor" em árabe, também se caracteriza por suas noites em claro até a alvorada, já que a maior parte dos fiéis não dorme até o suhur.

Tudo isso acontece dia após dia ao longo de um mês lunar, embora Mohamad afirme que isso não cause nenhum transtorno a ele, pois "o jejum do Ramadã é o jejum do ano, e o Ramadã não é para comer, mas só para jejuar e orar".

Em outra confeitaria no bairro islâmico da capital egípcia, Mahmoud, um dos funcionários, se esforça para servir a um cliente doces como kunafa, qataif e gulash, típicos do Ramadã.

"Estes são doces preparados para o iftar do Ramadã, são doces orientais e também há egípcios", explica Mahmoud à Efe.

Outro elemento característico deste mês é o fanus, uma lanterna fabricada com metal e vidro colorido, e às vezes de plástico, que os pais egípcios dão a seus filhos para que brinquem depois do iftar.

Segundo a tradição, o caráter sagrado do Ramadã, o nono mês do calendário islâmico, se deve ao fato de o profeta Maomé ter recebido a revelação do Corão neste mês.

Precisamente, o jejum é um dos cinco pilares do Islã, que também incluem a profissão de fé, a oração cinco vezes ao dia, a esmola e a peregrinação a Meca, mandamentos que todos os muçulmanos devem cumprir, exceto as grávidas, doentes, crianças e viajantes. EFE ssa/wr/rr

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.