Tranqüilidade e falhas de organização marcam eleições em Angola

Luanda, 5 set (EFE).- As eleições legislativas realizadas hoje em Angola, as primeiras em 16 anos, transcorreram sem episódios de violência, embora com graves falhas de organização reconhecidas pelas próprias autoridades, disseram os observadores internacionais que acompanharam o pleito.

EFE |

O presidente da comissão eleitoral, Caetano de Sousa, reconheceu que houve "falhas e transtornos" na organização das eleições, em que 8,3 milhões de eleitores elegeram 220 deputados para a Assembléia Nacional, na qual o governista Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) espera manter sua maioria.

A abertura das urnas estava prevista para as 7h (3h de Brasília), mas a maioria dos colégios eleitorais do país, sobretudo em Luanda, começou a funcionar com mais de uma hora e meia de atraso.

O próprio presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que tentou votar na hora prevista para a abertura, só pôde fazê-lo às 8h40 no colégio da Cidade Alta da capital.

"Reconhecemos publicamente nossas deficiências, que fizeram com que em algumas províncias, particularmente em Luanda, alguns colégios eleitorais não tenham conseguido entrar em pleno funcionamento", disse Sousa.

O responsável eleitoral também pediu desculpas a todos os angolanos, que "esperavam com grande ansiedade este 5 de setembro", no qual o país vota pela primeira vez desde 1992 para escolher, entre 14 candidaturas, seu segundo Parlamento desde que se tornou independente de Portugal, em 1975.

Apesar de Sousa ter afirmado que todas as medidas de urgência para resolver as falhas foram tomadas, no meio da tarde alguns colégios de Luanda ainda não tinham aberto suas portas, conforme pôde comprovar a Agência Efe.

Por sua vez, a chefe da missão de observação eleitoral da União Européia, Luiza Morgantini, disse em coletiva de imprensa que em algumas áreas de Luanda houve "problemas de organização e confusão".

Segundo ela, o centro de votação onde esteve no começo da manhã era um "desastre" e não estava organizado.

No entanto, Morgantini, que lidera uma missão de mais de 100 observadores, ressaltou que "o povo está votando sem medo, sem intimidação e, das diferentes províncias nossos observadores, informam que a votação transcorre muito bem, com uma grande participação do eleitorado".

Ela também citou o enclave de Cabinda, onde existe um movimento armado separatista e por isso, havia dúvidas sobre a segurança durante o pleito. No entanto, ela disse que tinha informações de que a votação transcorreu normalmente.

A responsável européia comparou estas eleições com as da África do Sul em 1994, quando o povo sul-africano "saiu em massa" para eleger Nelson Mandela como primeiro presidente negro do país.

Já Santos, que governa Angola desde 1979, após a morte de Agostinho Neto, afirmou que "o mais importante é que Angola saia vencedora para a consolidação da democracia" e acrescentou que, se a jornada transcorresse sem incidentes, o país daria "um exemplo ao mundo".

"Iniciamos um novo ciclo, uma nova forma de fazer política", disse Santos, que ainda afirmou que o pleito ocorreria em um ambiente de "tolerância e fraternidade, apesar de alguns incidentes".

No entanto, o principal partido de oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita) acusou novamente o MPLA de ter contado com uma "vantagem injusta" quanto ao financiamento e difusão de sua campanha, e denunciou a confusão registrada em alguns colégios no início da votação.

"Isto é caótico", disse o líder da Unita, Isaias Samakuva, que exigiu que os responsáveis pelas eleições solucionassem rapidamente os problemas.

Enquanto isso, porta-vozes da Polícia Nacional, que hoje mobilizou 70 mil agentes para garantir a segurança do pleito, asseguraram à Efe que a votação tinha transcorrido "normalmente" no país, sem que se registrassem grandes incidentes.

Os 14 mil centros eleitorais, nos quais atuam cerca de 200 mil agentes eleitorais, devem fechar às 19h (15h de Brasília).

Os resultados oficiais do pleito, segundo fontes da Comissão Eleitoral, serão conhecidos na próxima semana, embora os primeiros dados devam ser divulgados no sábado ou no domingo.

Dos 220 deputados da assembléia anterior, eleita em 1992 e que teve uma legislatura de 16 anos, 129 eram do MPLA e 70 da Unita, enquanto as outras forças políticas do país não superavam os seis representantes. EFE ms/ab/rr

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