Tragédia aérea no Irã deixa 168 mortos

Um avião comercial iraniano que seguia para a Armênia pegou fogo no ar e caiu em uma área rural nesta quarta-feira, matando as 168 pessoas que estavam a bordo na pior tragédia aérea do Irã nos últimos anos.

AFP |

Testemunhas e a imprensa estatal informaram que o avião da Caspian Airlines pegou fogo antes de iniciar a queda e explodir perto de um vilarejo a nordeste de Teerã, poucos minutos depois da decolagem do aerporto internacional da capital.

Imagens de TV mostram uma grande cratera na área do desastre, com vários partes da aeronave espalhadas, além de calçados e roupas.

"Todas as pessoas a bordo do avião estão mortas. O avião tinha 153 passageiros e 15 tripulantes", afirmou Mohammad Reza Montazer Khorasan, diretor do centro de gestão de desastres do ministério da Saúde.

Entre os passageiros da aeronave, um modelo Tupolev de fabricação russa, estavam 25 armênios, segundo uma fonte da companhia aérea em Yerevan. Segundo fontes iranianas, 10 membros da seleção nacional juvenil de judô também estavam a bordo.

"Eu vi o avião quando estava um pouco acima do chão. As rodas estavam para fora e havia fogo na parte inferior", afirmou a testemunha Ablolfazl Idaji à agência Fars.

"Parecia que o piloto estava tentando pousar e momentos depois o avião bateu no chão e se partiu em pedaços", acrescentou.

O canal em inglês Press TV citou uma testemunha que mora na localidade de Janat Abad, na província de Qazvin, que afirmou ter visto o avião cair de repente e explodir no impacto, abrindo a cratera.

Horas depois da tragédia a fumaça ainda dominava o local e a polícia teve que impedir a aproximação dos moradores.

Na capital armênia Yerevan, o diretor da Organização para a Aviação Civil, Arsen Pogossian, afirmou em uma entrevista coletiva que o piloto tentou fazer um pouso de emergência depois que um motor pegou fogo.

Mas Pogossian fez questão de ressaltar que seu comentário não era a versão oficial do ocorrido.

Familiares e amigos dos passageiros seguiram para o aeroporto de Yerevan em busca de notícias.

O porta-voz da Aviação Civil do Irã, Reza Jafarzadeh, informou que o avião decolou do aeroporto internacional Imã Khomeini às 11h33 (4h03 de Brasília), mas 16 minutos depois desapareceu do radar e caiu.

O site da televisão estatal informa que, segundo Ahmad Momeni, diretor da autoridade aeroportuária do Irã, a última conversa entre o piloto e a torre de controle foi normal e não indicava problemas técnicos.

Ahmad Mousavi, secretário-geral do Crescente Vermelho (Cruz Vermelha nos países islâmicos), iraniano afirmou: "A grande explosão provocou queimaduras graves. Não tivemos condições de fazer nada".

O presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad determinou ao minstério dos Transportes uma investigação profunda sobre a tragédia, a última de uma série recente de desastres aéreos.

Há duas semanas, um Airbus da companhia Yemaina caiu no Oceano Índico na altura de Comores e 152 pessoas morreram. No dia 1º de junho, um Airbus da Air France caiu no oceano Atlântico quando percorria o trajeto Rio de Janeiro-Paris, com um balanço de 228 mortos.

O Irã, que está há muitos anos sob sanções internacionais, registrou vários desastres aéreos na última década, mas o acidente desta quarta-feira foi o mais grave em muitos anos.

Em dezembro de 2005, 108 pessoas morreram na queda de um avião de transporte da Lockheed nas proximidades de Teerã.

Vinte e nove pessoas morreram em setembro de 2006, quando um avião comercial saiu da pista e pegou fogo depois de pousar na cidade de Mashhad. Em novembro do mesmo ano, um avião militar caiu logo depois da decolagem no aeroporto de Mehrabad, em Teerã, com 39 pessoas a bordo, incluindo 30 membro da Guarda Revolucionária.

A frota civil e militar iraniana é formada por aviões antigos em condições precárias, uma consequência da idade e da falta de manutenção. O regime iraniano é afetado por sanções, que impedem a compra de Boeings americanos ou Airbus europeus, já que estes incluem um número significativo de peças americanas.

A Caspian Airlines foi criada em 1992 e afirma operar mais de 50 voos regulares e charter por semana entre cidades iranianas e vários destinos em países do Oriente Médio e do Leste Europeu.

Milhares de armênios moram no Irã, que abriga algumas igrejas históricas do rito gregoriano.

A Armênia se aproximou do Irã nos últimos anos, provocando a preocupação de Washington, que pediu a Yerevan sua adesão às sanções internacionais que tentam obrigar o Irã a abrir mão do programa nuclear.

bur-jds/fp/ap

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