Tráfico de humanos vai a julgamento na Malásia pela primeira vez

KUALA LUMPUR, Malásia - Um homem acusado de levar duas mulheres tailandesas à Malásia ilegalmente e explorá-las sexualmente se tornou a primeira pessoa a responder por uma nova lei local contra tráfico humano, afirmou um advogado nesta terça-feira.

AP |

Ee Chin Kai se declarou inocente em uma corte das acusações de trazer as mulheres de 27 anos ao país e explorar seu trabalho como prostitutas, disse seu advogado, Noordin Hussin.

Caso seja condenado, Ee pode pegar até 15 anos de prisão e uma multa por cada acusação sob o Ato Contra o Tráfico Humano que entrou em vigor no ano passado.

"Esse pode ser um teste da nova lei", disse Noordin.

A corte marcou a audiência para o dia 17 de setembro e liberou Ee sob fiança.

Ee foi preso em março enquanto as mulheres se hospedavam em sua casa, disse Noordin.

Grupos de Direitos Humanos há muito pedem que a Malásia puna os traficantes de pessoas, muitos dos quais escaparam anteriormente de processos por não haver lei específica contra eles.

O Departamento de Estado Americano, em seu relatório anual sobre o tráfico de pessoas lançado em Junho, colocou a Malásia em sua lista negra "por não mostrar um progresso satisfatório no combate à prática".

As autoridades do país dizem que a nova lei resolve esse tipo de reclamação ao encorajar a polícia, o departamento de imigração e outras autoridades a perseguir, processar e condenar os supostos traficantes.

Aegile Fernandez, representante do grupo de direitos dos trabalhadores Tenaganita, afirmou que as acusações contra Ee são outro "ponto favorável" à Malásia e disse ter esperança de que haverá outros processos bem-sucedidos no futuro.

Fernandez estima que milhares de pessoas são traficadas por ano na Malásia. A maioria vêm de países do sudeste asiático e acaba tendo que trabalhar forçadamente na indústria do sexo, fábricas ou plantações do país.

De acordo com as estatísticas da polícia, quase 400 mulheres estrangeiras foram resgatadas do "vício" entre 2004 e 2006, mas ativistas afirmam que  há mais vítimas na indústria.

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