Traficantes de bebês são presos na Bulgária

Sófia, 18 jun (EFE).- As autoridades búlgaras desarticularam uma quadrilha de traficantes de recém-nascidos e prenderam três pessoas em Sófia, informaram fontes da Agência Estatal de Segurança Nacional da Bulgária, à Agência Efe.

EFE |

Os três detidos - os advogados, Emil Kostadinov, sua colega, Diliana Stoyanova e seu cúmplice, Albena Cherimi - são acusados de fazer parte de um grupo ilegal organizado para buscar, transportar, esconder e receber mulheres grávidas, com o objetivo de vender seus filhos a famílias na Bulgária e na Grécia.

De acordo com as acusações, os três presos convenciam as grávidas a vender seus filhos imediatamente depois do parto, por um valor que ia de 1.500 a três mil euros.

Depois vendiam a criança a famílias gregas por um valor de 30 mil a 40 mil euros, dependendo do sexo do bebê, já que os meninos são mais caros que as meninas.

Segundo os investigadores, os suspeitos enganavam as famílias da Grécia e asseguravam que todos os procedimentos da adoção estavam de acordo com a lei búlgara.

O primeiro passo na atuação do grupo era encontrar famílias interessadas, que na maioria dos casos já estavam inscritas oficialmente no registro de candidatos para adoção, do Ministério da Justiça em Sófia, o que supõe que os suspeitos tinham acesso ao cadastro.

Em seguida, os traficantes procuravam as futuras mães dispostas a vender seus filhos e, depois do parto, o candidato a adotar a criança era convocado e se apresentava como verdadeiro pai.

O homem declarava, então, a paternidade da criança diante das autoridades locais, junto com a mãe verdadeira, argumento suficiente para a autorização da viagem do bebê ao exterior.

Segundo a lei búlgara, a origem paternal do recém-nascido não exige provas biológicas. Uma declaração na qual o pai, parecido ou não com a criança, reconheça o filho como seu já é suficiente.

Os investigadores do caso descobriram, até o momento, que 13 bebês foram vendidos dessa forma a famílias gregas no período de um ano e outros dois foram entregues a duas famílias na Bulgária.

Segundo o Código Penal, o negócio com recém-nascidos pode ser punido na Bulgária com prisão de entre dois a 15 anos, além da cobrança de uma multa de até 50 mil euros.

A desarticulação do grupo praticamente coincidiu com a publicação do Relatório de Tráfico de Pessoas de 2008, do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que aponta que a Bulgária com fonte e território de passagem para o tráfico humano e que 15% das vítimas no país são crianças. EFE vp/pd

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