SÃO PAULO - A Polícia Civil de São Paulo informou nesta sexta-feira que um dos narcotraficantes mais procurados pela Justiça da Espanha, de onde fugiu há sete anos, está preso há nove meses Centro de Detenção Penitenciária de Pinheiros, mais conhecido como Cadeião, na capital paulista, com uma identidade falsa.

Trata-se de Carlos Ruiz Santamaría, de 41 anos, conhecido como "El Negro" e que figura na lista dos 15 criminosos mais procurados pela Justiça espanhola, segundo a Polícia Civil paulista.

Ele está preso no "Cadeião" desde 2 de maio de 2008, quando foi detido por narcotráfico, e apresentou uma identidade com o nome de Manoel Oliveira Ortiz, natural de Minas Gerais.

Sua verdadeira identidade foi descoberta por agentes do Departamento de Pesquisas sobre o Crime Organizado (Deic), ao examinar as atividades ilegais de uma empresa que estava em nome de Oliveira Ortiz.

Os investigadores descobriram que, apesar de uma de suas empresas estar registrada como de serviços de limpeza, tinha atividades totalmente diferentes, como aluguel de aviões.

"Uma empresa de limpeza que passa a negociar com aviões é uma empresa que tem características de lavagem de dinheiro do narcotráfico", disse um porta-voz do Deic.

Posteriormente, durante um interrogatório, os agentes notaram que apesar de falar bem português, o preso deixou escapar algumas palavras em espanhol, e, ao ser descoberto, admitiu que usava uma identidade falsa.

Os policiais cruzaram as informações obtidas no interrogatório com dados da Interpol e chegaram à conclusão de que se tratava de Ruiz Santamaría, que na Espanha afirmou ser de nacionalidade mexicana, o que negam as autoridades do México.

Segundo a Polícia, ele é apontado como ligação entre os cartéis colombianos na Europa e suspeito de ter sido sócio do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadia, preso em São Paulo em 2007 e extraditado aos Estados Unidos.

Na Espanha, ele é acusado de manter uma base de distribuição de cocaína para a Europa, segundo a Polícia de São Paulo.

Ruiz Santamaría já fora detido em 1999 na Espanha, com uma carga de 11 toneladas de droga, mas, em dezembro de 2001, dias antes de ser julgado, obteve a liberdade pagando uma fiança por motivos de saúde e fugiu.

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