Traficante colombiano envolve ex-presidente Samper em assassinato

Bogotá, 20 jan (EFE).- O traficante colombiano Hernando Gómez Bustamante, extraditado para os Estados Unidos em julho de 2007, envolveu o ex-presidente Ernesto Samper no assassinato do líder conservador Álvaro Gómez Hurtado, segundo um testemunho judicial do traficante divulgado hoje pela imprensa da Colômbia.

EFE |

O ex-presidente Samper, que governou de 1994 a 1998, talvez tenha sido o instigador do crime junto com Horacio Serpa, ex-candidato presidencial conservador que o acompanhou como ministro do Interior e de Justiça, disse o traficante em uma versão de suas declarações divulgada pela rádio "A FM".

Gómez Hurtado, que liderava a ala mais radical do Partido Conservador Colombiano (PCC) e várias vezes aspirou à Presidência do país, foi baleado em 5 de novembro de 1995 na saída de uma universidade particular de Bogotá da qual era professor.

O crime foi cometido no meio de uma crescente crise governamental pelas denúncias e investigações sobre infiltração financeira do agora desaparecido Cartel de Cali na campanha de Samper, que encarou um processo político no Congresso que não foi adiante por falta de provas.

Gómez Bustamante, conhecido pelo codinome de "Rasguño" (Arranhão), falou do suposto envolvimento de Samper e Serpa, agora governador do departamento de Santander, durante uma investigação judicial realizada nos últimos dias 12 e 13 de janeiro em uma corte judicial de Nova York.

Na audiência, participaram delegados da promotoria e a Procuradoria colombianas, que levaram adiante separadamente um processo penal e outro disciplinar, respectivamente, relacionado com o caso.

Segundo fragmentos do testemunho divulgados pela rádio, "Rasguño" assegurou que soube da suposta vinculação de Samper e Serpa com os fatos durante uma reunião entre traficantes e paramilitares realizada em 1996 em uma fazenda do desaparecido líder das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) Carlos Castaño.

O suposto envolvimento foi levantado pelo traficante Orlando Henao, assassinado em uma prisão em 1998, disse Bustamente, para quem Henao revelou que o plano criminoso esteve a cargo do coronel aposentado Danilo González, assassinado em Bogotá em 2004.

Para executar o crime, González, antigo policial que acabou vinculado com o narcotráfico, "usou dois de seus homens de confiança: dois suboficiais da Polícia", segundo "Rasguño".

Bustamante sustentou que Gómez Hurtado foi assassinado pelo receio de que ele pudesse chegar ao poder dentro de uma junta militar que, aparentemente, almejava permanecer no poder, uma vez que Samper, perseguido pelo chamado "narcoescândalo", fora afastado da Presidência.

Esta versão explicaria uma recente solicitação da Procuradoria à promotoria de interrogar determinados "cidadãos colombianos possivelmente co-autores do crime de Álvaro Gómez Hurtado".

A Procuradoria explicou que preferiu não fazê-lo "para garantir a eficácia da investigação e para proteger sua integridade nesta parte determinante do processo". EFE jgh/sa

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