Traços da política de Bush para A.Latina podem aparecer em Governo Obama

Céline Aemisegger. Washington, 5 dez (EFE).- O secretário de Estado adjunto para a América Latina dos Estados Unidos, Tom Shannon, recomendou hoje ao próximo Governo que mantenha o compromisso com a região, e tenha uma estratégia diplomática ativa do mais alto nível.

EFE |

"É importante seguir comprometido (com a região) e seguir fazendo isso ao nível do presidente, da secretária de Estado e de outros secretários de gabinete", afirmou Shannon em uma conferência da Câmara de Comércio sobre a diplomacia dos EUA no continente.

Shannon, acompanhado na conferência por mais de 20 embaixadores americanos designados em países de América Latina, Caribe e Canadá, explicou que a diplomacia ativa e do mais alto nível foi um "traço distinto" do atual Governo, "apesar de se dizer muito" que os EUA "ignoram a região".

O secretário lembrou que o presidente George W. Bush viajou nove vezes à América Latina e impulsionou a primeira conferência da Casa Branca sobre a região.

Shannon disse que o presidente eleito, Barack Obama, "enfrenta grandes desafios" com duas guerras abertas e uma crise econômica a ser resolvida, comparável só ao que ocorreu há 76 anos.

"Não tivemos que enfrentar uma transição dessas características desde 1933", quando Franklin D. Roosevelt teve que fazer frente a uma crise econômica global, ao avanço do fascismo e do comunismo na Europa e ao expansionismo militar japonês na Ásia.

Apesar de todos esses desafios, Roosevelt implantou a política da boa vizinhança para melhorar as relações com a América Latina.

"Caso se olhe como Franklin D. Roosevelt usou o sistema interamericano, como o preservou e como atacou o protecionismo em uma tentativa de abrir os mercados, isso representa um bom mapa de caminho do que vem agora" ressaltou Shannon.

Em relação aos desafios enfrentados pelo próximo Governo, o secretário de Estado adjunto para a América Latina se limitou a um: a luta contra o crime organizado no México e na América Central.

Questionado pelos que alegam que os EUA perderam influência na América Latina, Shannon assinalou que "trabalham em um entorno muito mais competitivo que no passado".

A região "está mudando e na medida que muda temos que entender que a natureza de nossa influência muda", afirmou.

"O impacto da globalização, da democratização e sua abertura em direção ao comércio e à habilidade de se relacionar com parceiros comerciais e políticos criou um entorno no qual América Latina se conectou realmente com o resto do mundo, de uma maneira que historicamente nunca foi feito", explicou.

Os EUA devem promover essa nova realidade, entendê-la como algo bom, mas também deve estar presente na região para oferecer soluções a seus problemas. Segundo ele, tudo isso sem impor soluções.

Por sua parte, o embaixador americano no Peru, Michael McKinley, disse que o novo contexto "não significa uma perda de influência, mas sim o reflexo da globalização do papel da América Latina no mundo".

Ele também ressaltou que os tratados comerciais entre EUA e vários países da região proporcionaram à América Latina uma plataforma para se relacionar com o resto do mundo.

Nesse contexto, o embaixador americano na Colômbia, William Brownfield, se mostrou convencido de que os EUA aprovarão o Tratado de Livre Comércio (TLC) com esse país, que está pendente de ratificação junto ao do Panamá.

O mesmo tom promissor também foi mantido pelos encarregados de negócios na Bolívia e na Venezuela, assim como pelo embaixador na Nicarágua.

O encarregado de negócios em La Paz, Krishna R. Urs, atribuiu as dificuldades nas relações diplomáticas a um "vazamento dos problemas domésticos às relações bilaterais", mas afirmou que a medida que a Bolívia resolva seus assuntos, será possível voltar a uma relação mais normal entre ambos os países.

Já o embaixador americano na Venezuela, John Caulfield, se limitou a dizer que as relações dos EUA com Caracas dependem de uma conversa entre ambos os países.

Por sua parte, Robert Callahan, o embaixador em Manágua, qualificou a crise política na Nicarágua de problemática, mas ressaltou que os nicaragüenses historicamente costumam se sentar para negociar a solução aos seus problemas. EFE cai/rr

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