Trabalhistas perdem Prefeitura de Londres e vivem pior momento em 40 anos

Judith Mora Londres, 2 mai (EFE).- O Partido Trabalhista britânico perdeu hoje a Prefeitura de Londres e outros municípios da Inglaterra e de Gales no que representou o pior resultado em eleições municipais nos últimos 40 anos.

EFE |

O conservador Boris Johnson, de 43 anos e pouca experiência na primeira linha política, venceu as eleições da capital com uma pequena margem de diferença em relação ao veterano Ken Livingstone, responsável por transformar Londres em uma cidade rica, diversificada e cosmopolita.

Com a vitória - amplamente antecipada pela imprensa, pelos partidos e até pelas casas de apostas - Johnson se transforma no primeiro prefeito conservador de Londres desde o restabelecimento da Prefeitura da capital em 2000.

No final de uma longa apuração, que durou quase 16 horas, o candidato "tory" foi proclamado pela Comissão Eleitoral ganhador das eleições de quinta-feira, com um total de 1.168.738 votos nas 14 circunscrições da capital.

Livingstone, que tentava ser eleito pela terceira vez, obteve 1.028.966 dos votos, somente 140.000 a menos que Johnson, comparados com os 236.685 do terceiro candidato, o liberal-democrata Brian Paddick.

Após ser informado de sua vitória, Johnson elogiou seus oponentes e disse que a campanha foi "uma maratona", ao mesmo tempo em que destacou que trabalhará "muito duro" para "ganhar a confiança" dos muitos londrinos que não votaram nele.

Por sua vez, Livingstone, visivelmente emocionado, se mostrou orgulhoso do que conseguiu nos últimos oito anos e disse ao novo prefeito que os próximos anos serão "os mais incríveis de sua vida".

A derrota de Livingstone, prefeito desde 2000 e que tentava se reeleger para um terceiro mandato, reforça o mau momento vivido pelo Partido Trabalhista em outros municípios na Inglaterra e em Gales.

Com 159 municípios em disputa, os "tories" ganharam 256 vereadores e somaram 12 Prefeituras às que já possuíam, enquanto os trabalhistas perderam 331 vereadores e nove municípios e os liberais-democratas ganharam 34 vereadores e uma Prefeitura.

Segundo uma análise da "BBC", caso esses dados, desconsiderando Londres, atinjam o âmbito nacional, o Trabalhismo, que deve convocar eleições gerais o mais tardar em 2010, ficaria como terceira força do país, com 24% dos votos, atrás dos liberais-democratas, com 25%, e dos conservadores de David Cameron, com 44% dos votos.

Por sua importância eleitoral e simbólica, a perda de Londres constitui o maior golpe para a meta de Brown de ganhar nas próximas eleições legislativas, previstas para daqui a dois anos.

O conservador Boris Johnson, que se considerava uma aposta arriscada do líder conservador, David Cameron, foi a autêntica revelação desta campanha.

Deputado por Henley (sudeste) desde 2001, teve uma breve passagem pela primeira linha da política nacional ao ser porta-voz de educação superior do Partido Conservador, entre dezembro de 2005 e julho de 2007, antes de ser designado candidato à Prefeitura.

Anteriormente, foi suspenso de outros dois cargos - porta-voz de cultura e vice-presidente dos "tories" - por mentir ao então líder, Michael Howard, sobre uma aventura extraconjugal com uma jornalista de sua revista, "The Spectator".

Apesar de sua limitada experiência política, e de praticamente não ter vivido em Londres, Boris Johnson, conhecido por sua lábia e por suas incoveniências, conquistou a Prefeitura da capital, um dos troféus políticos mais prezados do país.

Agora terá que demonstrar que, além de engenhoso também é capaz de dirigir uma cidade que, além de ser o centro financeiro mundial, será, em 2012, sede dos Jogos Olímpicos. EFE jm/fb

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