Trabalhistas israelenses, da fundação do Estado ao fiasco eleitoral

O Partido Trabalhista, artífice da fundação do Estado de Israel, ficou no poder durante os 30 primeiros anos de sua existência; nas eleições legislativas de terça-feira, porém, experimentou o maior fiasco eleitoral de sua história, relegado a um papel secundário na disputa.

AFP |

Nascido nos Kibutzim (fazendas coletivas israelenses) do poderoso sindicato Histadrut e das grandes empresas israelenses, o partido participou ativamente da construção do país antes mesmo da criação do Estado, em 1948.

Os tempos de domínio dos trabalhistas na Knesset (parlamento unicameral israelense) paerecem agora muito distantes.

Em 1969, o partido comemorou seu melhor resultado eleitoral, com 56 das 120 cadeiras da Knesset, um recorde. Além disso, eram dirigidos por Golda Meir, primeira mulher a assumir o comando do governo israelense.

Na terça-feira, no entanto, os trabalhistas - hoje liderados por Ehud Barak, atual ministro da Defesa, elogiado por sua carreira militar e idealizador da ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza - vivenciaram situação inversa, com magros resultados e apenas 13 deputados no parlamento, segundo resultados não oficiais.

O Partido Trabalhista é agora a quarta força política do país, atrás do Kadima, da chanceler Tzipi Livni, do Likud, de Benjamin Netanyahu, e do Israel Beitenu, formação de extrema-direita liderado por Avigdor Lieberman.

Para Avirama Golan, editorialista do jornal Haaretz, "o processo iniciado em 1977 acaba de se fechar".

Golan fala do ano em que os trabalhistas sofreram seu primeiro baque, passando de 51 para apenas 32 deputados na Knesset, ao perder espaço para o Likud, de Menahem Begin, que se tornou primeiro-ministro.

Ao longo dos 30 anos anteriores, no entanto, o partido esteve na linha de frente dos acontecimentos em Israel.

Em 1949, um ano depois da proclamação do Estado, os trabalhistas de David Ben Gurion, pai fundador da pátria israelense, conseguiram 46 cadeiras no parlamento.

O partido também estava no poder na campanha do Sinai, em 1956, ao lado de França e Grã-Bretanha contra o Egito de Gamal Abdel Nasser.

A vitória relâmpago de junho de 1967, na qual Israel conquistou Gaza, Cisjordânia, Jerusalém oriental e as colinas do Golã, parecia confirmar que nada podia acabar com a hegemonia trabalhista.

A guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, que provocou a demissão de Golda Meir, foi um ponto de inflexão. Quatro anos mais tarde, apoiado por uma onda populista e sefaradita, Begin chega ao poder.

Desde então, os trabalhistas não se recuperaram do golpe. O desmantelamento do Histadrout, o fracasso do processo de Oslo e do primeiro acordo de paz com os palestinos (em setembro de 1993) e o assassinato do primeiro-ministro trabalhista Yitzhak Rabin (novembro de 1995) foram os golpes de misericórdia.

Ehud Barak chegou a ocupar brevemente a chefia do governo durante um ano e meio, mas teve o mandato encerrado prematuramente após o fracasso da cúpula de Camp David e do início da segunda intifada palestina, em setembro de 2000.

Para Avirama Golan, "o drama" de terça-feira se explica pela radicalização do eleitorado.

"Os resultados nos obrigam a aprender a lição com os nossos erros, e, em primeiro lugar, com os meus", admitiu Barak ao saber dos resultados.

cad-pa/ap

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG