Trabalhistas aceitam integrar coalizão liderada por Netanyahu

Daniela Brik. Jerusalém, 24 mar (EFE).- O Partido Trabalhista vai fazer parte do Governo liderado pelo conservador Benjamin Netanyahu, do Likud, transformando-se na única legenda de esquerda a integrar essa coalizão de caráter ultra-direitista.

EFE |

O líder trabalhista e ainda ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, conseguiu hoje por uma pequena diferença de votos o apoio de seu partido à integração com um Executivo presidido por Netanyahu, depois de o conservador apresentar uma tentadora oferta que inclui cinco ministérios.

Barak conseguiu o apoio do Comitê Central de seu partido a essa proposta, apesar da rejeição abertamente expressada por diversos militantes e atuais ministros trabalhistas.

A diferença de votos que inclinou a balança para o lado da iniciativa de Barak é de apenas 165: 680 votaram a favor, e 570 contra. A participação foi de 78%, dos 1.470 membros do Comitê Central com direito a se expressar.

O Partido Trabalhista ocupa atualmente o posto de quarta maior legenda política de Israel, com 13 cadeiras, conquistadas nas eleições de 10 de fevereiro.

"Não estou em busca de uma pasta ministerial", disse Barak pouco antes da votação, realizada em uma sessão extraordinária na tarde de hoje (local) em Tel Aviv, depois do anúncio, pela manhã, de que tinha alcançado um acordo com o chefe do Likud para fazer parte do próximo Governo de Israel.

Equipes dos dois partidos passaram a noite de segunda-feira negociando os últimos detalhes de um pacto que oferece aos trabalhistas cinco pastas, dois vice-ministros e um cargo de presidente de comissão parlamentar.

Entre as vaias de várias dezenas de jovens que lembravam as promessas de que os trabalhistas estariam na oposição, Barak pediu a seus correligionários para deixar de lado o "radicalismo e votar pela unidade".

Em discurso interrompido em várias ocasiões pelas vaias e gritos de seus detratores, Barak continuou: "Não temos outro país. Podem gritar 'oposição' ou o que quiserem, mas a maioria dos eleitores trabalhistas quer que façamos parte do Governo".

"O povo precisa e quer um Governo de unidade. Governaremos não com palavras, mas com ações", afirmou.

O Partido Trabalhista, que governou pelas três primeiras décadas da história do Estado de Israel e continua sendo hoje o principal partido de esquerda, obteve o pior resultado de sua história nas últimas eleições, o que despertou o temor de uma cisão interna.

Uma das opositoras a Barak, a deputada e jornalista Shelly Yajimovich, insistiu em que "não é uma vergonha fazer parte da oposição; ao contrário, é um grande honra".

A rejeição à iniciativa de integrar o Executivo de Netanyahu por diversos militantes de um partido membro da Internacional Socialista deriva do fato de que terá de governar em aliança com a extrema direita, como as legendas Yisrael Beiteinu, de Avigdor Lieberman, e o religioso sefardita Shas.

Entre os aliados dos trabalhistas na coalizão estão partidos que não pretendem conversar com os palestinos e são abertamente contrários a concessões como a divisão de Jerusalém.

Além disso, o Likud é marcadamente neoliberal, enquanto o Yisrael Beiteinu tem propostas consideradas racistas e é visto com temor pela comunidade internacional.

Segundo a imprensa, o acordo entre Barak e Netanyahu contém a formulação de um plano para a paz no Oriente Médio, assim como a continuação das negociações com palestinos e sírios, e o compromisso de respeitar os acordos assinados até o momento.

No entanto, o aspecto político não foi o que mais influenciou o dirigente trabalhista no momento de acertar um pacto, mas as promessas feitas por Netanyahu relativas à econômica.

Netanyahu parabenizou na noite de hoje (local) Barak por obter o respaldo de seu partido para integrar a coalizão governamental.

Enquanto isso, alguns dirigentes trabalhistas, como o antigo chefe do partido e ex-titular da Defesa Amir Peretz, advertiu após o resultado que a situação vivida pela legenda pode levar a uma cisão interna. EFE db/mh

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