TORONTO (Reuters) - Os trabalhadores da mineradora de níquel Sudbury, da Vale Inco, no Canadá, recusaram neste sábado uma proposta de contrato feita pela companhia e decretaram greve a partir da meia-noite de domingo. O sindicato da categoria afirmou que o objetivo é forçar a empresa a retornar à mesa de negociações. As negociações entre a Vale Inco --divisão de mineração e processamento de níquel da brasileira Vale-- e o sindicato não obtiveram êxito nesta semana, já que os dois lados não chegaram a um acordo sobre bônus, pensões e outros assuntos.

A votação, que começou na sexta-feira, terminou no final da tarde de sábado. O comitê de negociações do sindicato havia recomendado aos seus membros para rejeitarem a oferta.

"Nossos membros têm negociado com visão de futuro e de contratos de longo prazo, o que tem sido positivo para os nossos membros, para a comunidade e para a empresa. É simplesmente errado a Vale agora tentar eliminar isso tudo" disse Wayne Fraser, membro do comitê de negociações do sindicato, em um comunicado.

Oitenta e cinco por cento dos mineiros que votaram rejeitaram a proposta da empresa, informou o sindicato.

"Nós encontramos o resultado infeliz e decepcionante, mas não inteiramente surpreendente", disse o porta-voz da Vale Inco, Cory McPhee, acrescentando que não há planos imediatos para regressar à mesa de negociações nesse momento.

Trabalhadores que atuam nas operações de níquel e cobre da Voisey's Bay já votaram a favor da greve.

Contudo, a greve deve ter impacto limitado, tendo em vista que a maior parte das operações foi reduzida pela metade até o final de julho devido à fraca demanda por níquel. A crise já obrigou a Vale a demitir quase duas mil pessoas das suas operações no mundo.

Analistas disseram que a greve não deve afetar muito o preço da commodity --metal frequentemente utilizado na fabricação de aço inoxidável--, uma vez que a crise econômica levou a um excesso de oferta nos mercados globais.

"Nós temos estoques (de níquel) estáveis no momento, mas perto dos níveis de alta recorde", afirmou Catherine Virga, analista sênior de metais de base da CPM Group, em Nova York, antes da decisão dos empregados.

"De onde o mercado está agora, eu não acho que necessariamente veremos muita reação de preço imediatamente".

A companhia e o sindicato United Steelworkers Local 6500, que representa cerca de 3.300 trabalhadores nas operações de níquel da Sudbury, concordaram no final de maio em estender o atual contrato em mais de um mês, até 12 de julho, concedendo mais tempo para a definição de um novo acordo.

Membros sindicais na Sudbury também votaram em maio para autorização de uma greve, caso as negociações trabalhistas não tivessem êxito.

A Vale assumiu as operações canadenses por meio da aquisição da Inco, em 2006. O presidente-executivo da mineradora brasileira, Roger Agnelli, afirmou recentemente que a Sudbury é a operação mais cara da companhia e que não é sustentável.

(Reportagem de Euan Rocha)

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