O ex-chefe político dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, apresentou nesta segunda-feira uma moção judicial na qual afirma haver provas da existência de um acordo com o negociador americano Richard Holbrooke para garantir a ele total imunidade perante a justiça.

Na moção, apresentada perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia, Karadzic, que foi preso em Belgrado em 21 de julho de 2008, pede a anulação de sua acusação com base nos termos deste acordo.

"A ata de acusação deveria ser anulada e o procedimento rejeitado para que as mãos do tribunal não sejam manchadas pelo engano de Holbrooke", indica Karadzic em sua moção.

Segundo o ex-chefe político dos sérvio-bósnios, um acordo secreto fechado com Holbrooke em julho de 1996 o protegeria de qualquer perseguição judicial por parte do TPI - sob a condição de que ele se retirasse completamente da vida pública.

"O doutor Karadzic cumpriu sua parte do acordo. Agora, quer que o tribunal cumpra a de Holbrooke", acrescenta a moção.

Karadzic, acusado de genocídio, além de crimes de guerra e contra a humanidade, afirma que a promessa do negociador foi feita em uma reunião em Belgrado, nos dias 18 e 19 de julho de 1996, da qual não participou.

A essa reunião estiveram presentes o ex-presidente sérvio, Slobodan Milosevic, o ex-chefe do serviço secreto sérvio, Jovica Stanisic, o ex-presidente do Parlamento dos sérvios da Bósnia, Momcilo Krajisnik, e o ministro das Relações Exteriores na época, Aleksa Buha.

O acordo, assinado pelos representantes dos sérvios da Bósnia, foi comunicado a Karadzic em seguida. Holbrooke por sua vez, "se negou a assinar", de acordo com a moção.

Holbrooke, artífice dos acordos de Dayton, que encerraram a guerra na Bósnia (1992-1995), sempre negou a existência de um acordo desse tipo.

mlm/ap

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.