Torturadora de Abu Ghraib atribui comportamento à clima de guerra

Londres, 3 jan (EFE).- Lynndie England, a soldado americana cujas imagens torturando presos iraquianos em Abu Ghraib no ano de 2004 deram a volta ao mundo, justificou o ocorrido em entrevista ao jornal britânico The Guardian, na qual assegura que tudo foi conseqüência do fato de estar no meio de uma guerra.

EFE |

"Nas guerras, acontece o que acontece. O que ocorreu foi que tiraram fotos e elas vieram à tona. Muita gente diz que se tivéssemos ficado calados ou se os tivéssemos matado não teria havido problema algum", diz a soldado, que cumpriu metade dos três anos de prisão aos quais foi condenada pelas torturas em Abu Ghraib.

England, hoje com 26 anos, vive em Fort Ashby (Virgínia Ocidental), cidade onde cresceu e na qual vive em um trailler com os pais e seu filho de 4 anos, fruto de sua relação com o oficial Charles Garner, o único dos sete militares processados pelas torturas no Iraque que continua preso.

Sem trabalho, muito mais gorda do que quando esteve no Iraque e se tratando de depressão, a ex-soldado relaciona as torturas ao clima geral de uma guerra: "Não sei como descrever isso. Eles eram os inimigos. Não quero dizer que eles mereceram o tratamento que lhes demos, mas...".

England também tenta se justificar dizendo que na época era "muito inocente" e se mostra orgulhosa por nunca ter delatado um companheiro: "Na guerra, você não dedura seus companheiros.

Condenaram sete de nós, mas, acredite, havia muitos mais (militares) nas fotos".

Na reportagem, England conta que no começo de sua missão no Iraque, como membro da 372ª Companhia da Polícia Militar, se dava bem com os iraquianos: "Nós nos relacionávamos com as pessoas do lugar, aprendíamos sobre seus costumes e elas se interessavam pelos nossos".

Mas tudo mudou no segundo semestre de 2003, quando sua companhia foi realocada em Abu Ghraib, uma prisão com capacidade para 700 detentos, mas que abrigava 7 mil.

No presídio, a soldado trabalhava em tarefas administrativas, até que, por iniciativa de Graner, desceu aos calabouços e ambos se surpreenderam ao ver que o abuso, supervisionado por sargentos, era algo normal.

England assegura que, inicialmente, Graner achou aquilo "errado" e procurou o responsável por seu batalhão, cuja resposta foi dizer "que não havia nada de mau naquilo".

Sobre a foto dos homens nus empilhados como uma pirâmide, na qual aparece com Graner em primeiro plano, a soldado lembra que os presos "estavam gritando": "Eles diziam que nos odiavam, que iam nos matar".

Hoje, a principal preocupação de England é encontrar trabalho, algo que tem sido difícil, já que muitas empresas não contratam ex-condenados.

Já sua principal queixa é não poder tirar uma licença de armas de caça: "Isso me enraivece e enfurece". EFE fpb/sc

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