Tribunal aumenta sentença de Kaing Guek Eav, antes condenado a 35 anos de detenção por crimes contra a humanidade

O Tribunal Internacional do Camboja condenou à prisão perpétua o ex-chefe carcerário do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, alterando a sentença inicial, dada em 2010 , que previa uma pena de 35 anos por crimes contra a humanidade.

O tribunal, que conta com o apoio da ONU, julgou um apelo contra a sentença inicial e julgou que esta não estava à altura dos crimes do réu, que tem 69 anos. "Os crimes de Kaing Guek Eav, sem dúvida, estão entre os piores já registrados na história. Eles merecem a pena mais elevada possível", declarou Kong Srim, presidente da corte.

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Kaing Guek Eav chega para julgamento no Camboja
AP
Kaing Guek Eav chega para julgamento no Camboja

O veredicto atende aos pedidos das partes civis no julgamento, dos poucos sobreviventes da prisão Tuol Sleng (ou S21), que Douch dirigiu entre 1975 e 1979, e os familiares das vítimas. Acredita-se que 15 mil tenha sofrido tortura antes de serem executados no centro de detenção.

Douch é o primeiro dirigente do Khmer Vermelho julgado pelo tribunal híbrido, implementado em 2006 após anos de negociações entre o governo de Phnom Penh e a comunidade internacional. Ele admitiu ter coordenado a tortura e execução de milhares de homens, mulheres e crianças na prisão e pediu perdão por seus atos.

Tortura

Tuol Sleng era o destino de “inimigos” do regime do Khmer Vermelho. Cerca de dois milhões de pessoas morreram por causa das políticas do grupo, no poder no Camboja entre 1975 e 1979.

Entre as práticas do Khmer estavam a evacuação de cidades, trabalho forçado em plantações de arroz e a execução sumária dos considerados inimigos da revolução.

Apesar de ter reconhecido seu papel em Tuol Sleng, Duch insistiu que estava apenas cumprindo ordens de seus superiores.

No último dia de seu julgamento, em novembro, ele chocou vários cambojanos ao pedir para ser absolvido. Mas os procuradores disseram que Duch ordenou o uso de métodos brutais de tortura para extrair “confissões” dos detentos, incluindo arrancar unhas e administrar choques elétricos, além de ter aprovado todas as execuções.

Arquivista meticuloso, ele reuniu um enorme arquivo de fotos, confissões e outras evidências documentando a passagem dos detentos por Tuol Sleng. Em um memorando guardado por ele, um guarda perguntava a Duch o que fazer com seis meninos e cinco meninas acusados de traição. “Mate todos eles”, foi a resposta.

Depois que o Khmer Vermelho foi derrubado, Duch desapareceu por quase duas décadas, vivendo sob diferentes nomes no noroeste do Camboja e se convertendo ao cristianismo. Ele acabou sendo descoberto por acaso por um jornalista britânico e foi preso em 1999.

Com BBC e AFP

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