Tóquio vive situação de normalidade, diz Embaixada brasileira

Chefe do setor da comunidade brasileira diz que não há registros de vítimas do Brasil, mas embaixador não descarta possibilidade

Klinger Portella, iG São Paulo |

Depois de 24 horas do maior terremoto da história do Japão , a situação na capital Tóquio caminha para a normalidade. É o que diz a chefe do setor de comunidade brasileira da Embaixada do Brasil no Japão, Patrícia Cortes. “Hoje, posso dizer que Tóquio vive em clima de normalidade”, disse ao iG .

Segundo Patrícia, na tarde deste sábado (madrugada no Brasil), o comércio nas proximidades da Embaixada funciona normalmente, “com alguns restaurantes fechados apenas”.

Ela diz, no entanto, que o movimento nas ruas é menor que o normal. “Estamos no início da primavera, com um dia ensolarado. Normalmente, as ruas estariam mais movimentadas”, afirmou.

O cenário deste sábado é bem diferente do observado no dia anterior, quando o terremoto de magnitude 8,9, seguido de tsunami, afetou a costa nordeste do Japão. Em Tóquio, que está a cerca de 373 quilômetros do epicentro, os tremores foram sentidos. “Foi bastante assustador”, disse Patrícia.

“Quando saí da embaixada, às 2h30, havia bastante trânsito, porque os meios de transporte não estavam operando. Mas, agora, a situação está normalizada”, completou a funcionária da Embaixada brasileira no Japão.

Patrícia confirmou que, até o momento, não há registros de vítimas de nacionalidade brasileira. As regiões mais atingidas, a nordeste de Tóquio, são áreas com número reduzido de cidadãos brasileiros. Posteriormente, porém, o embaixador do Brasil no país, Marcos Galvão, diz que é “prematuro” descartar que haja brasileiros entre as vítimas . “Há ainda muitas pessoas desaparecidas. Não seria responsável descartar a possibilidade de algum brasileiro vitimado”, disse ao iG .

Terremoto

centenas de mortes confirmadas e desaparecidos na tragédia , mas há indicações de que o número de vítimas pode superar 1,3 mil. Ao menos 215 mil estão instalados em abrigos de emergência no leste e no norte do país.

O sábado ainda deve revelar toda a extensão dos danos causados pelo tremor seguido de tsunami de ao menos sete metros de altura que varreu vilarejos e cidades. O governo japonês iniciou uma operação de resgate com milhares de militares mobilizados nas operações. As buscas também contam com 300 aviões e 40 navios.

Na manhã deste sábado, os japoneses que estavam em Tóquio no momento do terremoto tentam voltar para casa. Grande parte dos trabalhadores teve de passar a noite nas empresas, escolas e outros abrigos públicos por causa do tremor de 8,9 graus.

A imprensa japonesa teme um grande número de mortos na ilha de Honshu, na costa nordeste do país, onde ondas gigantescas destruíram mais de 3 mil casas.

Um barco arrastado pelo tsunami e que era foco de grande preocupação foi encontrado e seus 81 passageiros, resgatados com vida por helicópteros militares, informou a agência Jiji Press.

O ministro da defesa informou que em torno de 1,8 mil casas em Minamisoma, na prefeitura de Fukushima, estão destruídas, enquanto as autoridades do Sendai revelaram que 1,2 mil casas foram atingidas pelo tsunami.

Na pequena cidade de Ofunato, mais ao norte, 300 casas foram destruídas ou arrastadas. Mais de 80 incêndios atingiam os arredores de Tóquio e as prefeituras de Iwate, Miyagi, Akita e Fukushima, informou a Kyodo, com base em informações do Departamento de Bombeiros.

Depoimentos

O químico japonês Osamu Tsujimoto, de 56 anos, passou por momentos de tensão durante o terremoto. Ele estava na cidade de Kobe quando o edifício da multinacional em que trabalha, a Huntsman, começou a tremer. "O prédio balançava muito, parecia um navio em alto-mar ", afirmou ao iG .

No momento do tremor, a brasileira Kelly Taia, 27 anos, estava em sua casa na cidade de Tsu. Ela mora no Japão há sete anos. "Foi horrível! Tudo começou a balançar e eu não sabia o que fazer. Estava sozinha em casa com minha filha e fomos para debaixo da mesa .", contou ao iG .

Kelly só conseguiu fazer um breve contato com o marido, que está em Ibaraki. “A bateria do notebook dele acabou e desde então não tenho mais notícias. Quero voltar para o Brasil.”

Osamu Akiya, 46 anos, trabalhava em seu escritório em Tóquio no momento do terremoto, que provocou a queda de estantes e computadores, além de rachaduras nas paredes. "Já passei por muitos terremotos, mas nunca senti nada igual a isso", afirmou, em entrevista à agência Associated Press. "Não sei se vou conseguir voltar para casa hoje."

Até agora, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas. Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado Círculo de Fogo do Pacífico. O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

- Epicentro do terremoto e ficha do abalo

*Com AP, AFP e BBC

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