Tóquio não espera acordos ambiciosos na COP16

Japão defenderá a necessidade de reduzir os gases do efeito estufa em escala global, com a participação de todos os países

EFE |

Japão dúvida que na Conferência da ONU sobre Mudança Climática (COP16) que começa na próxima semana em Cancún (México) seja alcançado algum acordo para reduzir pela metade a emissão de gases do efeito estufa, até 2050.

O vice-ministro para assuntos ambientais globais japonês, Hideki Minamikawa, disse nesta quinta-feira (25) em entrevista coletiva que "a forma como as negociações evoluíram neste ano indicam que não vamos alcançar esses objetivos".

Ele lamenta que alguns países, principalmente pela oposição da China e dos Estados Unidos, sejam incapazes de alcançar um acordo sobre a emissão de gases e vigiar o aumento da temperatura global.

Na COP16 de Cancún, Japão defenderá a necessidade de reduzir os gases do efeito estufa em escala global, assim como a "participação indispensável" de todos os países em um novo marco legal para mitigar seus efeitos.

China é o primeiro emissor mundial de CO2, com 24%, seguido pelos EUA, com 17%, segundo um recente estudo da organização Global Carbon Project (GCP). O Japão está entre os cinco mais poluentes.

"Queremos objetivos ambiciosos de mitigação e ações dos países desenvolvidos e em desenvolvimento", disse o vice-ministro japonês, após defender a implementação de um sistema de acompanhamento, reporte e verificação (MRV, na sigla em inglês) das emissões de dióxido de carbono.

Em Cancún, o Japão vai apoiar as iniciativas para mitigar e adaptar-se aos efeitos da mudança climática com recursos financeiros, transferência de tecnologia e capacidade de construção, afirmou Minamikawa, após lembrar que o Governo japonês comprometeu US$ 15 bilhões neste fim.

Deverá defender ainda o fortalecimento do mercado de carbono e medidas para evitar a destruição das florestas.

Minamikawa ressaltou que o Japão não apoiaria uma proposta para estender o Protocolo de Kioto, que vence em 2012, por considerar que é preciso cumprir os prazos estipulados.

Segundo este protocolo estipulado na cidade japonesa de Kioto, os países se comprometeram a reduzir em média de 5% as emissões poluentes entre 2008 e 2012 com relação aos níveis de 1990, mas os EUA e a China não assinaram o acordo.

Minamikawa confiou em que "tarde ou cedo" os países se comprometam a reduzir a emissão de gases e prometeu que o Japão "não retrocederá em seus esforços" para alcançar esse objetivo.

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