Toque de recolher na cidade congolesa de Goma ameaçada pelas forças rebeldes

O toque de recolher foi decretado em Goma, capital da província de Kivu Norte, ameaçada por forças rebeldes, informaram nesta segunda-feira fontes oficiais.

AFP |

"Confirmo a instauração de um toque de recolher em toda a cidade de Goma, para controlar melhor os movimentos da população", afirmou o governador dessa província situada no leste da República Democrático do Congo (RDC), Julien Paluki.

(AFP/Olivier Morin)
Milhares de pessoas já deixaram o Congo com medo da guerra civil

As forças do líder rebelde Laurent Nkunda chegaram nesta quarta-feira às portas da cidade, depois de ter derrotado o exército regular. Os rebeldes ordenaram em seguida um cesar-fogo, que parece estar sendo aceito.

Em meados da semana Goma foi cenário de saques, cometidos principalmente por soldados em fuga.

Nkunda ameaçou intensificar sua ofensiva para derrubar o governo se este não negociar diretamente com a rebelião.

Mas o governo do antigo Zaire se recusa a iniciar conversações.

"Não há pequenos e grandes grupos armados. O fato de criar um desastre humanitário não dá a ele direitos especiais em relação aos outros grupos armados que atuam na província de Kivu Norte", declarou o porta-voz do governo, Lambert Mende.

"O governo não vê nenhuma razão para discriminar outros grupos congoleses que têm propostas sobre a crise", acrescentou.

O líder rebelde congolês Laurent Nkunda afirmou no domingo em seu reduto de Kichanga (leste da República Democrática do Congo) desejar negociações diretas com o governo de Kinshasa e ameaçou, caso isto não aconteça, expulsar o mesmo do poder.

O porta-voz do governo da RDC considerou as declarações do líder rebelde "indignas e irresponsáveis".

Vestido com uniforme militar, boina verde e óculos, Nkunda concedeu uma entrevista coletiva no fim de domingo em Kichanga, em uma remota zona do Kivu Norte, sem cobertura telefônica, situada 80 km ao noroeste de Goma, a capital provincial.

"Se não fizerem nada, vamos obrigar este governo a deixar o poder. Já entramos em Goma. Minhas tropas infiltradas estavam (quarta-feira) no aeroporto de Goma. Ordenei que parassem porque vi o sofrimento de meus irmãos de Goma", acrescentou.

Na quarta-feira à noite, ao fim de uma ofensiva relâmpago que derrotou o Exército congolês e o levou até a entrada de Goma, o Congresso Nacional de Defesa do Povo (CNDP), grupo de Laurent Nkunda, proclamou um "cessar-fogo unilateral" que tem sido, de modo geral, respeitado desde então.

Em janeiro, o CNDP assinou com outros grupos congoleses de Kivu um acordo que previa um cessar-fogo. O governo só aceita discutir com base neste processo, paralisado atualmente, ressaltou Mende.

Por outro lado, um comboio humanitário da ONU e de uma ONG chegou nesta segunda-feira sem problemas a Rutshuru, leste da República Democrática do Congo, em uma zona rebelde, onde distribuirá a primeira ajuda em mais de uma semana.

O comboio, escoltado por oficiais da ONU, transportava material médico e água. Porém, os voluntários que participam na missão insistiram que se trata principalmente de uma avaliação da situação.

O comboio, que saiu pela manhã da cidade de Goma, chegou à tarde a Rutshuru, cidade situada 75 km mais ao norte.

Os rebeldes posicionados em vários pontos da estrada permitiram a passagem dos veículos humanitários.

A região de Rutshuru, onde estão posicionado 300 soldados da ONU, foi afetada pelos combates das últimas semanas entre os rebeldes de Laurent Nkunda e o Exército congolês.

A situação humanitária é catastrófica em Kivu Norte, onde mais de um milhão de pessoas ficaram desabrigadas pelos enfrentamentos. Os combates violentos da semana passada impediram a chegada de ajuda humanitária.

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