Toque de recolher é declarado em Kirkuk e em Bagdá após atentados

BAGDÁ - As autoridades iraquianas declararam o toque de recolher em Bagdá e em Kirkuk - 250 quilômetros ao norte da capital - após os atentados perpetrados hoje nas duas cidades.

Redação com agências internacionais |

Fontes do centro de operações em Bagdá afirmaram que o toque de recolher entrará em vigor na capital e nos seus arredores a partir das 5h (22h desta segunda, horário de Brasília) até as 5h de quarta e afetará apenas veículos e motocicletas.

Por outro lado, em Kirkuk fontes policiais explicaram que a medida nesta localidade inclui pedestres e veículos, e entrou em vigor às 17h (10h desta segunda, horário de Brasília) de hoje até as 7h de amanhã (00h de terça, horário de Brasília).

As autoridades declararam os toques de recolher após um dia de violência em Bagdá e em Kirkuk, onde quatro atentados suicidas, perpetrados por mulheres, tiraram a vida de 57 pessoas.

Mortes em Bagdá

Os episódios mais violentos foram registrados na capital, onde pelo menos  32 peregrinos xiitas morreram e outros 117 ficaram feridos, segundo informações médicas, em três explosões que aconteceram com poucos minutos de diferença.

Os atentados foram realizados por mulheres e tiveram como alvo comboios de peregrinos que se dirigiam para o santuário de Kadhemia, ao norte do país, onde acontece uma cerimônia religiosa anual em homenagem a um imã xiita.

Os ataques ocorreram quando os comboios passavam pelo distrito central de Kerrada. A cidade está sob um forte esquema de segurança por conta da peregrinação.

A cerimônia religiosa, que atrai milhares de fiéis, comemora a morte do Imam xiita Musa al-Kadhin e irá atingir seu ápice na terça-feira.


Milhares de peregrinos participam de cerimônia em Kadhemia / Reuters

Mortes em Kirkuk

Em Kirkuk, pelo menos 25 pessoas morreram e outras 187 ficaram feridas em um atentado protagonizado por um desconhecido que usava um cinto de explosivos e que o detonou no centro da cidade.

Kirkuk é a cidade mais importante de uma rica região petrolífera do norte do Iraque, com uma população de maioria curda e centro de disputas entre as autoridades do Curdistão iraquiano e do governo de Bagdá.

A concentração onde aconteceu o atentado tinha como objetivo protestar pela aprovação de uma lei sobre as eleições provinciais, inicialmente convocadas para 1º de outubro, que não contou com o respaldo dos legisladores curdos.

O principal empecilho da lei foi a disputa que entre curdos, turcomanos e árabes por Kirkuk.

Os curdos, que desejam anexar essa cidade a sua região autônoma, rejeitam a nova lei porque ela estipula a repartição de 32% das cadeiras do conselho local de Kirkuk para cada um dos três grupos étnicos, e os 4% restantes para outras minorias.

A lei foi aprovada pelo Parlamento em 22 de julho, mas o presidente iraquiano, Jalal Talabani, decidiu vetá-la, e abriu consultas políticas para conseguir um texto pactuado.

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* Com EFE e AFP

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