Londres, 20 dez (EFE).- O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair se considera um empresário social, capaz de mudar as coisas sem depender de uma burocracia, e diz que é mais querido fora do Reino Unido do que em seu próprio país.

Em uma entrevista ao jornal "Sunday Times", Blair - que ficou milionário graças a seus livros, suas conferências e seu trabalho como enviado especial para o Oriente Médio - afirma que, desde que deixou o Governo, em 2007, após uma década no poder, divide seu tempo entre a consultoria e trabalhos humanitários.

"Agora sou um empresário social. Posso conseguir mudança a minha maneira, fora da grande burocracia de um Governo", diz o ex-líder trabalhista durante mais de uma década e que atualmente tem pouca popularidade no Reino Unido.

Blair é assessor de vários bancos e Governos do Oriente Médio e da África, com honorários não divulgados, mas, sem dúvida, multimilionários, pronuncia conferências e dirige a Faith Foundation, uma ONG com orientação religiosa.

Seu objetivo final é conseguir que as coisas mudem para melhor, e o "truque" para isso, diz, é que os temas relacionados com os Governos, as empresas, o meio ambiente e a religião sejam tratados de maneira conjunta, para avançar unidos.

No terreno político, Blair, de 56 anos, destaca seus esforços para conseguir a paz no Oriente Médio como representante do Quarteto de Madri (EUA, UE, Rússia e ONU), e afirma que fica fora de casa durante três em cada quatro semanas, já que tem sua "base de operações" em Jerusalém.

No entanto, diz que não poderia ter feito outra coisa após deixar o Governo e que teria ficado "louco" sem uma intensa atividade profissional.

"Meu lema é: não se aposente, não caduque. Deixei a política suficientemente cedo para ter um segundo capítulo na vida. Por que um político não pode fazer isso?", pergunta.

O ex-primeiro-ministro ressalta que, em outros âmbitos profissionais, as pessoas fazem isso sem que ninguém estranhe: "ninguém diz que Bill Gates é ruim por deixar os negócios e se dedicar à filantropia".

Sobre sua suposta cobiça, diz que poderia obter "cinco vezes mais" do que ganha agora se fizesse apenas conferências e nega que tenha uma imagem ruim entre seus compatriotas, uma ideia pela qual culpa os meios de comunicação.

"Não é verdade que ninguém goste de mim. Lendo jornais no Reino Unido, voce acaba pensando que perdi três eleições, em vez de ganhá-las", argumenta Blair, que admite, no entanto, que é visto com melhores olhos fora do território britânico.

"Há um ambiente completamente diferente em torno de mim fora do país. As pessoas aceitam o trabalho que está fazendo, tal como é.

Não veem nada de mau em ter sucesso financeiramente e em fazer também um bom trabalho", afirma Blair, que não dá importância às críticas.

"Se fizesse o que os que me criticam querem, terminaria sentado em um cantinho, mas isso não é algo que eu vá fazer nunca", conclui.

Blair voltará a ser protagonista no cenário político britânico no início de 2010, com seu comparecimento na comissão independente que investiga a Guerra do Iraque, que ele apoiou quando era primeiro-ministro, alegando que a invasão era necessária porque Bagdá tinha armas de destruição em massa.

Nas quatro primeiras semanas de audiências públicas desta comissão, foram ouvidas informações relevantes, como a de que o Governo britânico soube antes da invasão que Saddam Hussein não tinha capacidade de lançar um ataque com armas químicas e biológicas. EFE fpb/an

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