Tony Blair recebeu mais de 15 milhões de euros desde que deixou o poder

Londres, 29 out (EFE).- O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair ganhou mais de 15 milhões de euros desde que deixou o poder em junho do ano passado, calcula hoje o jornal The Times, segundo o qual ex-dirigente trabalhista sextuplicou o que ganhou em seus 24 anos em política.

EFE |

Blair, que desde outubro se dedica a dar conferências, se torna o orador mais bem pago do mundo e há quem diga que ele ganhe até mais do que recebeu Bill Clinton no primeiro ano após deixar a Presidência dos Estados Unidos.

Apenas para despesas de seu escritório, Blair recebe o equivalente a 106 mil euros do Estado britânico. Além disso, o ex-dirigente recebe uma pensão anual de cerca de 80 mil euros, mas isto não é nada comparado a suas outras fontes de renda.

Segundo o jornal, Blair ganhou 5,8 milhões de euros pela publicação de suas memórias, cerca de 2,5 milhões de euros do banco JPMorgan Chase - inclusive prêmios - e 630 mil euros do Zurich Financial Services.

Além disso, o ex-primeiro-ministro superou os US$ 9,2 milhões ganhos por Clinton com seus discursos no primeiro ano que passou fora da Casa Branca.

"Posso assegurar que Blair já superou esta soma. Provavelmente é agora a figura pública mais bem paga por seus discursos", disse ao "Times" uma fonte do circuito de conferências.

Tal é a demanda pelos discursos de Blair, representado pelo Washington Speakers Bureau, que já há fila de espera de clientes, alguns dos quais dispostos a pagarem 250 mil libras por um discurso de uma hora e meia.

Segundo o jornal "The Times", Blair se tornou o orador favorito do Carlyle Group, um grupo de capitais privados que investe principalmente no setor militar.

Assim, no próximo mês ele falará sobre geopolítica em reunião de investidores europeus deste grupo, e em fevereiro fez o mesmo em uma conferência semelhante em Dubai.

O periódico lembra que o Escritório Nacional de Auditoria do Reino Unido denunciou na época que os contribuintes britânicos perderam milhões de libras por causa da privatização da tecnologia de espionagem em razão do fato de Blair ter optado um tanto precipitadamente pelo grupo Carlyle, em concurso público.

Segundo o "Times", toda esta atividade de Blair preocupa as Nações Unidas, que temem que ele relegue a segundo plano o cargo não remunerado de enviado da entidade para o Oriente Médio, o qual desempenha.

"Nos Estados Unidos pensam que ele não está conseguindo nenhum avanço. Acreditam que Blair deveria trabalhar na distribuição de ajuda aos palestinos e não em mediar a paz no Oriente Médio, embora ele prefira este último", disse uma fonte da ONU ao jornal.

Um funcionário da ONU baseado em Jerusalém afirmou ao "The Times" que tem a impressão de que Blair quase nunca passa por ali.

Um porta-voz do ex-primeiro-ministro negou que seja assim e afirmou que o destacamento no Oriente Médio ocupa a maior parte do tempo do político britânico.

"Ao aceitar o posto, Blair disse que passaria pelo menos uma semana por mês na região, e é exatamente isto o que ele está fazendo", disse o porta-voz. EFE jr/ev/fal

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