Tocha olímpica passa pela Índia em meio a detenções e protestos pró-Tibete

Nova Délhi, 17 abr (EFE).- A tocha olímpica completou hoje seu percurso por Nova Délhi rodeada de um dispositivo de segurança de cerca de 15 mil agentes, enquanto milhares de manifestantes pró-Tibete protestaram em outros pontos da cidade e cerca de 100 ativistas foram detidos em toda a Índia.

EFE |

A chama olímpica foi transportada em apenas meia hora desde o Palacio Presidencial até a Porta da Índia, ligadas pela grande avenida Rajpath, onde 70 personalidades, entre eles atletas e celebridades do cinema indiano, se revezaram para levar a tocha.

O fogo foi aceso diante do monumental arco da Porta da Índia entre grandes bandeiras chinesas, em cerimônia rápida. Vários grupos de tibetanos que tentaram romper o cordão policial que impedia o acesso à avenida foram detidos.

Também foram detidos cerca de 60 ativistas em vários atos de protesto em Nova Délhi, e outros 30 diante do consulado chinês da cidade de Mumbai (oeste), segundo fontes policiais citadas pelas agências indianas.

Antes da cerimônia oficial, os ativistas organizaram um percurso alternativo com uma tocha "própria", que levaram do memorial de Rajghat, onde foi cremado o pai da nação indiana, Mohandas Gandhi, até o complexo de Jantar Mantar, epicentro dos protestos nos últimos dias.

"O revezamento oficial tem pouco espírito olímpico porque está sendo organizado sob extremas medidas de segurança. Portanto decidimos reviver o espírito olímpico com um percurso paralelo", disse o porta-voz do Comitê de Solidariedade Tibetano (TSC, em inglês), Tseten Norbu.

Cerca de cinco mil tibetanos participaram do revezamento paralelo.

No Jantar Mantar, rodeado por um forte dispositivo de segurança, se reuniram centenas de tibetanos, muitos deles em grandes grupos com cartazes contra a China e outros gritando palavras de ordem como "Tibete livre" e "Saia Hu Jintao", em alusão ao presidente chinês.

Os atores de Bollywood (indústria cinematográfica indiana) Aamir Khan e Saif Ali Khan, ambos muçulmanos, participaram do revezamento, mas o popular jogador de críquete Sachin Tendulkar se negou a participar da cerimônia alegando problemas físicos.

O capitão da seleção indiana de futebol, Baichung Bhutia, e a primeira mulher a desempenhar o cargo de policial na Índia, Kiran Bedi, se negaram a carregar a chama olímpica, criticando abertamente as autoridades chinesas.

O Governo indiano, que tenta manter boas relações diplomáticas com Pequim, se mostrou desde o princípio muito cauteloso com os protestos tibetanos contra a China e decidiu encurtar de nove para três quilômetros o percurso da chama olímpica em Nova Délhi, em uma tentativa de minimizar os incidentes.

Após chegar à India na madrugada de hoje, vinda de Islamabad, a tocha seguirá de avião para Bangcoc, próxima parada de sua viagem ao redor do mundo.

Cerca de 130 mil refugiados do Tibete moram na Índia, além do líder tibetano no exílio, o dalai lama, que vive na localidade de Dharamsala, próxima ao Himalaia. EFE amp/ev/fb

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