Londres, 13 abr (EFE).- O Titanic não pediu socorro até 47 minutos após a colisão fatal com um iceberg em sua primeira viagem transoceânica na noite do dia 14 de abril de 1912, segundo um novo livro sobre o naufrágio mais célebre do século XX.

O livro "101 Things You Thought You Knew About The Titanic...But Didn't!" (101 coisas que você pensou que sabia sobre o Titanic...

mas não sabia!, em tradução livre)" foi escrito pelo britânico Tim Maltin e será publicado nesta quinta-feira, coincidindo com o 98º aniversário da noite na qual 1.517 pessoas perderam a vida nas águas geladas do Atlântico.

A principal conclusão da obra é que os responsáveis pelo que foi apresentado como "o transatlântico indestrutível" esbanjaram um tempo precioso tratando de averiguar os danos causados pelo iceberg no casco, e que isso foi o que evitou a chegada dos navios que estavam perto de sua rota a tempo.

Concretamente, Maltin afirma que o capitão e os oficiais quiseram manter o ocorrido em segredo, devido a toda a propaganda que tinha rodeado à primeira viagem do Titanic entre Southampton (Inglaterra) e Nova York, e que quando se deram conta da gravidade do acidente já era tarde demais.

"Possivelmente eles consideraram o impacto público do ocorrido e enquanto decidiam se o navio afundava ou não, pôde haver um ligeiro atraso", explicou o autor, que defende também que até que o primeiro sinal de alarme foi dado, passaram três quartos de hora. Só então os primeiros botes salva-vidas foram lançados na água.

Segundo Maltin, "pôde ser que eles tenham levado todo esse tempo para considerar o dano sofrido, mas para mim é provável que não quisessem enviar uma mensagem de preocupação até o último minuto".

O livro pergunta se o tempo transcorrido até que o SOS fosse enviado e as dúvidas que supostamente os oficiais tiveram dissipadas decidiu a sorte dos passageiros do Titanic.

A embarcação chocou contra o iceberg às 11h14 da noite e o SOS não foi enviado até passada a meia-noite.

Para o autor, caso o sinal de ajuda tivesse sido lançado antes, a tripulação do Californian, um dos primeiros navios que chegaram ao lugar da catástrofe, teria acordado e teria conseguido iniciar a operação de resgate com muita mais rapidez.

Maltin averiguou durante dois anos os resultados das investigações levadas a cabo pelos Governos americano e britânico e se reuniu com os principais especialistas no tema.

Constatou, entre outras coisas, que o capitão Edward Smith tinha um longo histórico de acidentes e que não estava acostumado a navios de dimensões parecidas as 50 mil toneladas do Titanic.

De fato, a primeira viagem do transatlântico esteve a ponto de terminar logo após saída do porto de Southampton. O Titanic esteve a ponto de chocar contra o New York, e o livro inclui uma fotografia que ilustra o acidente prestes a ocorrer.

"A colisão foi evitada por apenas dois pés (61 centímetros), algo que obviamente é indicativo do desastre que se avizinhava", afirmou.

Maltin ressaltou que Smith estava acostumado a navios da metade de tamanho e que anteriormente tinha chocado com o Olympic, uma versão pequena do Titanic, no porto de Nova York.

Além disso, o autor destacou que o navio navegava a 22 nus no momento do acidente, uma velocidade excessiva em uma zona conhecida pela presença de icebergs, mas de novo o desejo de transformar a viagem do Titanic em um êxito pesou mais que a responsabilidade.

"Queriam bater o recorde de tempo que o Olympic tinha, estavam tentado surpreender todo o mundo e chegar a Nova York um dia antes do previsto", acrescentou Maltin na apresentação de um livro que oferece outros dados interessantes e pouco conhecidos do Titanic.

Por exemplo, que quando a embarcação saiu da Inglaterra foi declarado um pequeno incêndio a bordo, que o buraco fatal causado pelo iceberg só tinha uma superfície de um metro quadrado e que a maioria das vítimas morreram congeladas, não afogadas. EFE fpb/pb-dm

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