Tiroteio entre sunitas e alauítas mata 7 e fere 33 no Líbano

Pelo menos sete pessoas, entre elas um menino de 10 anos, morreram nesta sexta-feira em trocas de tiros entre membros das comunidades sunita e alauíta em Trípoli, no norte do Líbano, antes da entrada em vigor de um cessar-fogo, informou à AFP uma fonte dos serviços de segurança.

Redação com AFP |

Os alauítas são um grupo étnico muçulmano do Oriente Médio proeminente na Síria.

A sétima vítima fatal é um homem de aparentes 30 anos, pertencente à comunidade sunita, disse esse responsável da segurança, que pediu para não ser identificado.

O homem morreu pouco antes da meia-noite (horário local), durante os combates que foram retomados no final do dia, completou a mesma fonte.

Os tiros esporádicos que se seguiram à entrada em vigor do cessar-fogo, às 18h local (12h de Brasília), intensificaram-se depois, acompanhados de tiros de foguetes RPG, continuou esse responsável, acrescentando que um garoto de 10 anos, ferido na cabeça por uma bala perdida, não resistiu e morreu no hospital.

Os combates foram deflagrados na madrugada desta sexta e se intensificaram de manhã, sendo retomados no final do dia. Além dos mortos, há 33 feridos. A maioria foi atingida durante a troca de tiros, e pelo menos uma pessoa, por um franco-atirador.

"O Exército enviou reforços às áreas de conflito para garantir o respeito do cessar-fogo, e o comando do Exército se comprometeu conosco a responder duramente a qualquer violação do cessar-fogo", disse o deputado sunita Mohamed Abdel Latif Kabbara à imprensa.

Entre os mortos nos enfrentamentos entre combatentes do bairro de maioria sunita de Bab al-Tebbaneh e do bairro de maioria alauíta de Jabal Mohsen, também estão duas mulheres, confirmou o representante dos serviços de segurança, que não quis ser identificado.

À tarde, um foguete alcançou um apartamento próximo de um mercado, provocando um incêndio, enquanto outro atingiu uma mesquita de Bab al-Tebbaneh. Os moradores foram alertados pelos alto-falantes a não irem às mesquitas para as orações semanais, devendo fazê-lo em casa, e as lojas permaneceram fechadas nesses bairros.

"Fugimos de nossas casas durante a noite e nos refugiamos em uma mesquita com outras 70 famílias", declarou Ali al-Cheikh, pai de sete filhos.

Outras famílias buscaram abrigo em lojas, ou garagens subterrâneas, enquanto os combatentes se deslocavam pelas ruas, na presença de soldados, que não intercederam, segundo o correspondente da AFP.

Um porta-voz do Exército disse à AFP que, durante os confrontos, eles "não podiam intervir pela densidade da população nos bairros envolvidos".

"Os ativistas estão disparando do interior dos prédios, e o Exército não pode responder por medo de ferir, ou matar, civis", explicou.

Bab al-Tebbaneh, de maioria sunita, é um feudo anti-sírio. Já os moradores de Jabal Mohsen pertencem à comunidade alauíta, uma corrente do xiismo, e são partidários do movimento xiita Hezbollah, que lidera a oposição no Líbano.

Mais cedo, o mufti (sunita) do norte do Líbano, Malek al-Chaar, anunciou um cessar-fogo, a partir de 12h30 local (6h30 de Brasília), ao fim de uma reunião entre autoridades políticas e religiosas de Trípoli, mas ele não o respeitou.


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