Se nenhum candidato conseguir maioria absoluta, segundo turno ocorre em abril; Ramos-Horta tenta a reeleição

Timor Leste compareceu às urnas neste sábado para uma eleição presidencial que transcorreu sem problemas, demonstrando a capacidade dessa jovem democracia de assegurar a própria paz no momento em que as tropas da ONU preparam a retirada do país. "Não tivemos violência", comemorou o presidente José Ramos Horta, que disputa um segundo mandato. As seções eleitorais ficaram abertas das 7h (19h de Brasília na sexta-feira) às 15h locais.

Eleitores fazem fila para votar em eleição presidencial em Dili, Timor Leste
AP
Eleitores fazem fila para votar em eleição presidencial em Dili, Timor Leste
A votação é apenas a segunda da democracia de dez anos de Timor Leste e a primeira supervisionada pelas forças locais, que assumiram a responsabilidade pela segurança no ano passado. Os cerca de 1 mil capacetes azuis ainda presentes em Timor Leste deixarão o país no final deste ano.

No total, 620 mil eleitores estavam registrados para votar em 12 candidatos, incluindo José Ramos-Horta. Entre os demais candidatos há um ex-guerrilheiro que a ONU recomenda julgar e um ex-ministro condenado por homicídio. O segundo turno deve ocorrer em meados de abril se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta neste sábado. Em junho haverá eleições legislativas para compor o Parlamento.

Descolonizado de Portugal em 1975, o país foi invadido pela Indonésia apenas três dias mais tarde, dando início a 24 anos de conflito. Segundo uma comissão independente, o conflito deixou cerca de 200 mil mortos - ou quase um quarto da população timorense na época.

A ONU colocou o país sob mandato em 1999, após a saída das tropas indonésias, e isso permitiu sua independência três anos mais tarde, em 2002. A história do país continuou marcada pela violência, mas Timor Leste vive em calma há vários anos, e por essa razão a ONU anunciou a retirada de seus soldados no fim deste ano, sendo que o mesmo será feito pelas forças australianas.

Atualmente mais da metade dos timorenses vive abaixo da linha da pobreza, e uma porcentagem igual se mantém no analfabetismo. O novo presidente terá que lutar para que seu país permaneça em paz.

"Se tudo ocorrer de forma pacífica, isso mostrará que estamos prontos", explicou Aderito Hugo da Costa, deputado do CNRT (centro-esquerda), partido presidido pelo atual primeiro-ministro, Xanana Gusmão .

Essa calma retoma as esperanças de desenvolvimento, que se alimenta das reservas de combustíveis explorados na ilha. Um fundo de US$ 9 bilhões foi criado com recursos provenientes de petróleo e gás. A utilização desses recursos foi o tema central da campanha, em uma discussão que deverá continuar até as eleições legislativas.

"Nos últimos quatro ou cinco anos, cerca de US$ 1 bilhão foi colocado na economia. Mas olhe em volta. Para onde foi esse dinheiro?", disse Francisco 'Lu Olo' Guterres, líder do partido Fretilin (esquerda, maior força da oposição). "É a corrupção", lamenta o candidato.

Entre os 12 aspirantes presidenciais em disputa, Lu Olo é o favorito. O atual presidente, ícone da luta da independência e Prêmio Nobel da Paz em 1996 , venceu com facilidade as eleições de 2007, contra o mesmo Lu Olo. Dessa vez, no entanto, terá mais dificuldades, já que, diferentemente de 2007, não terá o apoio do partido CNRT, que preferiu defender a candidatura do ex-comandante do Exército general Taur Matar Ruak.

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