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Tigres tâmeis reconhecem que batalha chegou a amargo final

Agus Morales. Nova Délhi, 17 mai (EFE).- Encurralada em menos de um metro quadrado, a guerrilha tâmil declarou hoje que a batalha chegou a seu amargo final, e anunciou o fim unilateral dos combates diante do derramamento de sangue no norte do Sri Lanka.

EFE |

"Só nos restava uma opção: eliminar a última frágil desculpa do inimigo para matar nosso povo. Decidimos silenciar nossas armas", disse, em comunicado, o chefe de relações internacionais da guerrilha dos Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE), S.

Pathmanathan.

"Esta batalha chegou a seu amargo final. Contra qualquer previsão, contivemos as forças cingalesas sem ajuda, exceto o apoio sem fim de nosso povo", disse o rebelde na nota, colocada no site Tamilnet, afim ao LTTE.

O Exército cingalês, que acusa a guerrilha de usar os civis como "escudos humanos", recusou várias vezes declarar uma trégua e os LTTE continuaram combatendo as tropas durante semanas, apesar da situação de fragilidade.

"Temos que fazer tudo o que pudermos para deter este açougue. Se isso significa silenciar nossas armas e entrar em processo de paz, isso é algo que já aceitamos", disse hoje Pathmanathan.

Pathmanathan também denunciou que, nas últimas 24 horas, 3 mil civis tâmeis morreram e outros 25 mil sofreram ferimentos e não dispõem de "atendimento médico".

"Não aguentamos mais ver o derramamento de sangue de nosso povo", afirmou, lamentando que as potências estrangeiras tenham feito pouco caso das chamadas para deter o "massacre".

Hoje mesmo, o Exército cingalês disse ter "resgatado" em três dias os 50 mil civis que os LTTE tinha como "reféns" em uma pequena faixa de território no distrito nortista de Mullaitivu, apesar de, pouco antes, ter cifrado o total em um máximo de 20 mil.

Dias atrás o Exército tinha anunciado uma ofensiva final contra os LTTE - que tachou de "operação de resgate" -, e ambos os lados continuaram os combates, apesar das chamadas internacionais para conseguir uma trégua que salvasse a vida dos civis.

O presidente cingalês, Mahinda Rajapaksa, proclamou ontem que os LTTE já foram "derrotados militarmente", e na próxima terça-feira se dirigirá à nação com um discurso no Parlamento, segundo uma fonte governamental citada hoje pelo jornal local "The Daily Mirror".

Rajapaksa voltou hoje à ilha após uma visita à Jordânia e, ao chegar ao aeroporto, "encostou a cabeça no chão e rendeu culto à terra que ele libertou do terrorismo", segundo um comunicado do Ministério da Defesa cingalês.

Um trabalhador humanitário no local disse à Agência Efe, por telefone, que a declaração do fim da guerra por parte do Governo pode acontecer nos próximos dias.

Por enquanto, o Governo não se pronunciou sobre a mensagem dos LTTE.

Uma fonte do Ministério da Defesa disse ao "Daily Mirror" que as tropas ainda não encontraram o paradeiro do líder dos rebeldes, Vellupillai Prabhakaran, mas um porta-voz militar disse à Efe ontem que o Exército está convencido de que continua na ilha.

O conflito no Sri Lanka continuou nas últimas semanas, apesar das chamadas internacionais e da visita de diplomatas: a última delas do enviado da ONU, Vijay Nambiar, que deveria chegar ontem à noite à ilha, mas que ainda não se reuniu com as autoridades.

A "ofensiva final" do Exército coincide com a vitória eleitoral do Partido do Congresso na Índia, um dos poucos vizinhos com margem de manobra para influenciar nas decisões do Governo cingalês.

O Governo indiano tinha lançado durante a campanha eleitoral mensagens para mostrar sua preocupação com os civis tâmeis - minoria étnica também presente no gigante asiático -, mas se manteve relativamente à margem do conflito.

Os LTTE, tachados de "terroristas" várias vezes pelos líderes do Partido do Congresso, assassinaram o ex-primeiro-ministro da Índia Rajiv Gandhi em 1991.

O conflito no Sri Lanka começou há mais de 25 anos e o cessar-fogo no papel entre 2002 e 2008 não serviu para se chegar a uma solução negociada. EFE amp/an

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