Tibetanos promovem Olimpíada paralela na Índia

Um grupo de tibetanos iniciou na quinta-feira na cidade indiana de Dharamsala, a capital do governo do Tibete no exílio, a disputa de uma Olimpíada paralela, reunindo apenas atletas tibetanos. Os jogos, que ocorrem a pouco mais de dois meses do início da Olimpíada de Pequim, têm dividido a comunidade tibetana e provocado críticas do governo da Índia, preocupado com a reação chinesa a um evento que já começou marcado por demonstrações de patriotismo dos atletas.

BBC Brasil |

O governo tibetano em exílio não expressou qualquer tipo de apoio à competição. Pelo contrário, um dia antes do início das provas, emitiu um comunicado pedindo a todos os tibetanos que suspendam até o final de maio qualquer tipo de protesto contra a China "para expressar solidariedade às vítimas do desastre natural que afetou o país" - uma referência ao recente terremoto.

O próprio Dalai Lama tem expressado apoio à Olimpíada de Pequim e se distanciado da onda de protestos realizados nos últimos meses por membros da comunidade tibetana.

Entretanto, o tibetano Lobsang Wangyal, idealizador da Olimpíada, salientou que o evento "não é um protesto, mas um evento esportivo".

"Nos solidarizamos com o povo chinês. Não somos contra a Olimpíada da China, mas contra as políticas chinesas no Tibete que têm destruído nossa cultura e o nosso povo", afirmou.

Uniformes
Nos jogos tibetanos, que serão realizados pelos próximos dois dias, haverá provas de arco e flecha, tiro ao alvo, natação e corrida de longa distância.

Os 23 concorrentes -13 homens e dez mulheres - vão participar de todas as provas, e muitos deles praticam esporte apenas por hobby.

Cerca de metade dos participantes são nascidos na Índia. A outra metade teve que escapar do Tibete a pé, atravessando o Himalaia por semanas.

O primeiro dia do evento atraiu uma platéia de cerca de 30 pessoas, entre turistas e monges budistas.

Enquanto não começava, os atletas cantavam musicas tradicionais tibetanas e posavam para fotos, entoando, a cada oportunidade, o grito: bod gyalo ou "vitória, Tibete"!
Cada um exibia com orgulho o uniforme impecável - vermelho para os rapazes, branco para as meninas - com a logomarca da Olimpíada e a frase: "um mundo, muitos sonhos".

Arco e flecha
O evento teve inicio com uma prova masculina de arco e flecha.

Com os atletas alinhados nas marcas de tiro - dois para cada alvo -, o começo da prova foi pouco animador: apenas três ou quatro flechas acertaram os anéis exteriores. Na etapa seguinte, a 15 metros de distância, um ou outro concorrente acabou mais bem sucedido.

A torcida foi ficando mais animada à medida que avançavam as etapas da competição, com aplausos calorosos a cada vez que uma flecha acertava no anel central do alvo.

Na final, sob fortes aplausos, o competidor Dawa Tashi, de 24 anos, levou a medalha de ouro.

"Muitos jovens tibetanos gostariam de praticar esportes e quem sabe até participar da Olimpíada, mas infelizmente não podemos", lamentou Dawa.

Outra competidora é Yangchen Palmo, de 27 anos. Moradora de Nova Déli, na Índia, ela resolveu participar porque, na escola, se saia muito bem em educação física.

"Nós só queremos o que é nosso direto. Queremos também participar da Olimpíada - não em nome da China, mas em nome do Tibete".

Greve de fome
Ao contrário do que têm demonstrado oficialmente as autoridades tibetanas no exílio, a juventude tibetana tem se mostrado cada vez mais impaciente com a postura da China em relação ao território.

Para protestar, cerca de 300 jovens estão marchando em direção à fronteira da Índia com o Tibete desde março.

Além disso, um grupo de monges está se revezando em uma greve de fome em Dharamsala desde o dia 14 de março, quando a polícia chinesa entrou em choque contra manifestantes no Tibete.

Segundo as autoridades chinesas, pelo menos 19 pessoas foram mortas pelos manifestantes nesses choques no Tibete, mas exilados tibetanos dizem que quase cem foram mortos pelas forças de segurança chinesas.

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