Tibetanos exilados lembram morte de manifestantes

Por Bappa Majumdar NOVA DÉLHI, Índia (Reuters) - Com orações e rituais funerários tradicionais, milhares de exilados tibetanos, entre os quais seu líder espiritual, o Dalai Lama, lembraram na Índia e no Nepal a morte de manifestantes durante um levante ocorrido no mês passado, no Tibete.

Reuters |

A China criticou o Dalai Lama novamente, acusando-o de manipular a opinião pública e os governos do Ocidente. Os ataques surgiram dias depois de o país ter se oferecido para negociar com os assessores do líder espiritual. Segundo o governo chinês, o Dalai Lama arquitetou os distúrbios ocorridos no Tibete.

Em Dharamsala (norte da Índia), onde fica a sede do governo tibetano no exílio, cerca de 3.000 tibetanos, entre os quais monges budistas, participaram de uma cerimônia realizada por seu líder espiritual em memória dos mortos no Tibete.

Centenas de pessoas permaneceram sentadas e em silêncio enquanto o Dalai Lama comandou a cerimônia, afirmaram autoridades.

Muitos tibetanos depositaram no local alimentos, de biscoitos a bananas, para homenagear os mortos, disseram testemunhas.

Em Nova Délhi, centenas de pessoas rezaram e cantaram até o cair da noite, na segunda-feira. Alguns manifestantes, usando camisetas nas quais se liam frases como 'Libertem o Tibete', gritaram palavras de ordem contra a China, afirmaram autoridades.

Na capital do Nepal, Katmandu, monges vestidos com roupas tradicionais comandaram uma passeata com cerca de 5.000 pessoas carregando velas. Os participantes caminharam de um templo budista a uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

Passaram-se 49 dias desde os protestos de 10 de março, em Lhasa, respondidos pelas forças de segurança chinesas com violência.

'O 49o dia depois da morte de uma pessoa tem um significado especial na nossa crença e carrega um significado especial em nossa herança cultural e religiosa', afirmou o Fórum da Solidariedade Tibetana no Nepal, em um comunicado.

'Neste dia, com nossas passeatas e orações silenciosas, nós olhamos com grande reverência para as almas que partiram', disse.

Policiais acompanharam os manifestantes.

O Nepal tem sido palco quase diário de protestos anti-China, eventos esses que as forças de segurança, em um primeiro momento, dispersaram usando cassetetes.

No entanto, mais recentemente, os policiais deixaram de recorrer à força -- em especial após críticas feitas por grupos de defesa dos direitos humanos como a Anistia Internacional.

Mais de 20 mil tibetanos vivem em assentamentos montados no Nepal desde que fugiram de sua terra natal após o fracassado levante de 1959 contra o domínio chinês.

A China acusou os assessores do Dalai Lama pelos distúrbios em Lhasa e em outras áreas tibetanas, distúrbios esses que teriam por objetivo, segundo o governo chinês, atrapalhar os Jogos Olímpicos de Pequim, marcados para agosto.

No entanto, após várias pressões internacionais para dialogar com o Dalai Lama, a China anunciou inesperadamente, na sexta-feira, que pretende reunir-se com os representantes dele dentro de alguns dias. O país asiático não deixou, porém, de criticar o líder budista.

(Reportagem adicional de Krittivas Mukherjee, em Kathmandu, e Ben Blanchard, em Pequim)

REUTERS RC FM

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG